Ataques russos diminuem em janeiro, mas agravam crise energética na Ucrânia
Ucrânia registou em janeiro os piores cortes de eletricidade, aquecimento e abastecimento de água desde o início da invasão russa.
A Rússia lançou menos 'drones' e mísseis contra a Ucrânia em janeiro face a dezembro, segundo uma análise da agência France-Presse baseada em dados da Força Aérea ucraniana, mas os ataques provocaram uma grave crise energética.
A Ucrânia, e em particular a capital Kiev, registou em janeiro os piores cortes de eletricidade, aquecimento e abastecimento de água desde o início da invasão russa.
De acordo com os dados analisados, as forças russas dispararam 4.452 'drones' de ataque, menos 13% do que em dezembro de 2025, e 135 mísseis, uma redução de 23% face ao mês anterior.
Do total de alvos lançados, 3.788 foram abatidos pelas defesas aéreas ucranianas, correspondendo a 83%, um ligeiro aumento em relação à taxa de interceção registada em dezembro, que foi de 80%.
No final de janeiro, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou atrasos nos pagamentos de aliados europeus de Kiev, afirmando que esses atrasos comprometeram a entrega de mísseis para os sistemas de defesa antiaérea e deixaram o sistema energético mais vulnerável.
Durante vários meses, a Rússia conduziu uma campanha intensiva de ataques contra centrais elétricas, centrais termoelétricas e infraestruturas do setor do gás da Ucrânia, com impacto direto no fornecimento de energia à população.
Essa ofensiva sofreu, contudo, uma pausa desde a semana passada, após um pedido do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, para suspender os bombardeamentos em Kiev e noutras cidades devido às temperaturas excecionalmente baixas.
Apesar dessa interrupção, a rede elétrica ucraniana, já fragilizada, registou no passado fim de semana um apagão causado por uma "falha técnica", que levou, entre outros efeitos, à paragem total e invulgar do metro da capital.
Zelensky afirmou na segunda-feira que os ataques russos estão agora concentrados na rede ferroviária e na capacidade logística da Ucrânia.
Kiev foi a cidade mais afetada pelos cortes de energia, que em alguns momentos deixaram até metade dos edifícios sem aquecimento, obrigando as autoridades a instalar tendas aquecidas para apoio à população.
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