Centenas de ucranianos lembraram ao mundo em Lisboa que a guerra continua

Iniciativa começou com uma concentração no Rossio, em Lisboa, seguida de uma marcha até à Praça do Município.

22 de fevereiro de 2026 às 19:33
Ucranianos marcham em Lisboa Foto: António Cotrim
Ucranianos marcham em Lisboa Foto: António Cotrim
Ucranianos marcham em Lisboa Foto: António Cotrim
Ucranianos marcham em Lisboa Foto: António Cotrim
Ucranianos marcham em Lisboa Foto: António Cotrim
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Centenas de ucranianos concentram-se este domingo em Lisboa para lembrar ao mundo que a guerra na Ucrânia continua e pedir proteção pelas milhares de crianças que estão privadas de direitos fundamentais como direito à vida, família e identidade cultural.

Com o lema "Protejamos as futuras gerações", a iniciativa começou com uma concentração no Rossio, em Lisboa, seguida de uma marcha até à Praça do Município, numa ação que decorreu em 80 países, num total de 665 cidades, que acolheram ucranianos que fugiram à guerra.

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Entre bandeiras da Ucrânia, que pintaram o desfile e a concentração de azul e amarelo, os manifestantes gritaram 'Slava Ukraini!' ("Glória à Ucrânia!) e empunharam bandeiras e cartazes que diziam: "Obrigada Portugal", "Ao salvarmos a Ucrânia salvamos o mundo", "Parar com o genocídio da Rússia na Ucrânia, "O único caminho para a paz - vitória da Ucrânia" e "Rússia é um estado terrorista".

"Estamos aqui para lembrar ao mundo que a guerra continua, que todas estas tentativas de resolver esta guerra e obrigar Putin a um cessar-fogo não deram resultado. Temos de continuar a chamar à atenção ao mundo e aos políticos mundiais para continuarem a ajudar a Ucrânia. Para fazerem mais força e para tentarem parar a guerra", disse à Lusa Pavlo Sadokha, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, que promoveu a iniciativa.

O responsável sublinhou que os ucranianos juntaram-se igualmente em 80 países para "dizer não ao genocídio" da Rússia em marchas "pela proteção das crianças ucranianas", sustentando que estas ações são importantes "para ajudar a salvar as vidas e os seus direitos".

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Segundo Pavlo Sadokha, cerca de 20 mil crianças ucranianas foram deportadas para a Rússia, tendo sido retiradas dos seus pais e das famílias, e mais de 1,5 milhões estão em território ucraniano ocupado pela Rússia sem direitos e "usadas no futuro como armas".

Na marcha na capital portuguesa foram vários os cartazes de "obrigada a Portugal", um agradecimento que o presidente da associação dos ucranianos destacou ao afirmar: "Desde o início da guerra que os políticos portugueses e os vários governos sempre ajudaram a Ucrânia e sempre tentaram parar esta ocupação russa contra a Ucrânia".

Pavlo Sadokha disse também que Donald Trump chegou ao poder há quase um ano e disse na altura que ia acabar com a guerra em 24 horas.

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"Não acreditávamos nisso no início e muito menos agora acreditamos que isso venha a acontecer porque sabemos que Putin começou esta guerra para não terminar simplesmente assim. Ele [Putin] quer que toda a Ucrânia fique ocupada pela Rússia, que toda a Ucrânia faça parte deste regime totalitário da Rússia", salientou, acrescentando: "Acreditamos que só com força, só bloqueando militarmente e economicamente todo o apoio à Rússia é que esta guerra pode terminar".

A invasão da Ucrânia pela Rússia completa na terça-feira quatro anos e o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal considerou que "todos estão cansados da guerra, tanto na Ucrânia como em outros países", sentindo que o apoio e a mobilização "já não é tanto" como no início.

"No início tinha um maior impacto", disse, referindo-se a Portugal, apesar de ressalvar que o apoio continua.

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A Ucrânia resiste há quatro anos a bombardeamentos diários, apagões acumulados, ofensivas terrestres em desvantagem militar, enquanto a Rússia mantém o propósito de vergar a Ucrânia na "operação militar especial", apesar de mais de um milhão de baixas, das sanções internacionais e de uma economia estagnada e em risco de declínio.

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