'Chuva' recorde de mísseis na Ucrânia antes das negociações de paz
Zelensky acusa Rússia de violar trégua nos ataques contra infraestruturas energéticas negociado por Donald Trump.
Um número recorde de mísseis e drones russos atingiu na madrugada desta terça-feira várias cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev, na véspera das negociações de paz que vão decorrer em Abu Dhabi.
Pelo menos 32 mísseis balísticos (um novo recorde, segundo as autoridades ucranianas), 28 mísseis de cruzeiro e mais de 450 drones para confundir as defesas antia-aéreas foram usados neste ataque massivo, que visou, principalmente, infraestruturas energéticas em Kiev, Odessa, Dnipro e Kharkiv, entre outras cidades. Só na capital, mais de 1100 edifícios residenciais ficaram sem eletricidade nem aquecimento numa altura em que as temperaturas rondam os 20 graus negativos. "Para a Rússia, aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar ainda mais as pessoas é mais importante do que a diplomacia", acusou o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky.
Além de centrais elétricas e térmicas, foram ainda atingidos vários edifícios residenciais, um jardim de infância e um posto de combustível em Kiev. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas e muitos milhares de outras foram obrigadas a passar a noite em abrigos subterrâneos.
Segundo Moscovo, o ataque desta terça-feira assinalou o final de trégua de uma semana nos ataques contra instalações energéticas acatada pela Rússia a pedido do presidente norte-americano, Donald Trump. Zelensky alega, por seu lado, que a trégua só entrou em vigor na passada sexta-feira, um dia após ser anunciada por Trump e que, por conseguinte, o ataque foi uma violação flagrante por parte da Rússia, a qual "deve ter consequências".
Os dois países voltam esta quarta e quinta-feira a sentar-se à mesa das negociações em Abu Dhabi, após as negociações trilaterais do mês passado, que foram descritas como "construtivas" por ambos os lados e pelos mediadores norte-americanos.
Rutte diz que a paz vai exigir "escolhas difíceis"
O Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, avisou esta terça-feira em Kiev que a paz vai exigir “escolhas difíceis” mas garantiu que a Ucrânia pode contar com o apoio da Aliança para garantir a sua segurança futura.
“Os EUA, a Europa e o Canadá mostraram-se disponíveis para oferecer as garantias de que a Ucrânia precisa para conseguir negociar a paz. Alguns Estados-membros anunciaram que irão enviar tropas para a Ucrânia após ser alcançado um acordo. Tropas no terreno, caças no ar e navios no Mar Negro. Os EUA serão a nossa salvaguarda. As garantias são sólidas e cruciais - porque sabemos que um acordo para acabar com esta guerra terrível vai exigir escolhas difíceis”, afirmou Rutte, adiantando que a Ucrânia “está pronta para ir a jogo” mas ataques como o desta terça-feira fazem duvidar da vontade da Rússia em negociar a paz.
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