Negociações de paz para a Ucrânia terminam sem avanços
Acordada nova troca de prisioneiros. Enviado dos EUA diz que "ainda há muito trabalho pela frente".
A mais recente ronda de negociações de paz para a Ucrânia terminou esta quinta-feira em Abu Dhabi sem avanços significativos, embora ambos os lados tenham realçado o caráter "construtivo" das conversações.
A único resultado concreto das negociações foi um acordo para a libertação de 157 prisioneiros de guerra de ambos os lados, na sua maioria militares mas também alguns civis. A troca de prisioneiros ocorreu poucas horas após o fim das negociações, sinal de que já estaria combinada de antemão. Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alguns dos militares ucranianos libertados estavam nas mãos dos russos desde 2022. "Vamos continuar a trabalhar para libertar todos os nossos cidadão que estão em cativeiro. Temos de trazer todos de volta e vamos fazê-lo", prometeu.
O enviado norte-americano Steve Witkoff, que liderou as negociações, disse que o acordo para a libertação de prisioneiros "mostra que os esforços diplomáticos sustentados estão a ter resultados concretos e a fazer avançar os esforços para acabar com a guerra", mas avisou que "ainda há muito trabalho pela frente".
O líder da delegação ucraniana, Kyrylo Budanov, chefe dos serviços de informações militares de Kiev, considerou que as negociações, que decorreram durante dois dias, foram "genuinamente construtivas" e agradeceu o trabalhos dos mediadores dos EUA e dos Emirados Árabes Unidos. Já o chefe da delegação russa, Kirill Dmitriev, confirmou a existência de "progressos" e "movimento positivo" nas discussões para acabar com a guerra. Ambos os lados anunciaram que as negociações serão retomada em breve, mas não anunciaram data ou local.
EUA e Rússia retomam diálogo militar
Os Estados Unidos e a Rússia chegaram a acordo para restabelecer os canais de comunicação militar aos mais alto nível entre os dois países, em mais um sinal claro de melhoria nas relações entre as duas potências. O acordo foi anunciado após uma reunião entre responsáveis militares de ambos os países em Abu Dhabi, à margem das negociações de paz para a Ucrânia. Os canais de comunicação militar tinham sido suspensos no final de 2021 devido à crescente tensão entre os dois países antes da invasão russa da Ucrânia. Segundo o Comando Central norte-americano, o restabelecimento dos canais de comunicação militar “permitirá um contacto consistente entre responsáveis militares de ambos os lados enquanto os dois países trabalham em conjunto para alcançar uma paz duradoura na Ucrânia”.
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