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Ataque russo em Irpin mata crianças em fuga ao horror da guerra

Família morta por bombardeamento quando tentava fugir de cidade nos arredores de Kiev.
Ricardo Ramos 7 de Março de 2022 às 01:30
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Família morta por bombardeamento quando tentava fugir de cidade nos arredores de Kiev.
Uma coluna de civis que tentava fugir da cidade de Irpin, junto a Kiev, foi este domingo bombardeada pela artilharia russa, provocando vários mortos, incluindo uma família com duas crianças pequenas. O governo ucraniano acusa a Rússia de intensificar os ataques contra alvos civis, incluindo hospitais, maternidades e escolas, numa estratégia deliberada para aterrorizar a população, e os EUA e a UE dizem que há cada vez mais "relatos credíveis" de crimes de guerra cometidos pelas forças russas.

Vários vídeos mostram homens, mulheres e crianças que fugiam de Irpin a atirarem-se para o chão, aterrorizados, quando vários obuses explodem nas imediações. O ataque terá feito pelo menos oito mortos, incluindo uma mãe e dois filhos pequenos. Fotos tiradas a seguir ao ataque mostram os corpos das vítimas no chão junto às malas de viagem que transportavam enquanto militares ucranianos tentavam socorrer o pai das crianças, que ficou gravemente ferido e também não terá sobrevivido. O ataque ocorreu quando centenas de civis tentavam fugir da cidade através de um ‘corredor seguro’. Mais a sul, em Mariupol, a retirada de civis foi adiada pelo segundo dia consecutivo após as tropas russas violarem o cessar-fogo e bombardearem zonas residenciais.


A vice-PM ucraniana, Olga Stefanishyna, acusou a Rússia de atacar deliberadamente alvos civis, incluindo hospitais, maternidades, escolas e jardins de infância, tal como fez na Chechénia e na Síria. "A Rússia está a usar táticas militares contra cidades. Esta é a realidade", acusou, no mesmo dia em que o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse ter "relatos muito credíveis" de ataques deliberados contra civis, os quais estão a ser documentados para uma futura investigação por crimes de guerra. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu igualmente uma investigação "firme e transparente" aos possíveis crimes de guerra cometidos pelas tropas russas.

Negociador ucraniano morto a tiro
O negociador ucraniano Denis Kireev, que participou na primeira ronda de conversações para tentar alcançar um cessar-fogo com a Rússia, na semana passada, foi morto a tiro em Kiev em circunstâncias pouco claras. A versão oficial diz que Kireev, um ex-banqueiro de 45 anos com ligações aos serviços de informações, foi morto "a defender a pátria", mas vários deputados avançaram que ele foi abatido por agentes dos serviços de segurança quando tentou resistir à detenção por suspeita de espionagem a favor da Rússia.

Zelensky quer "passar à ofensiva"
u O PR Volodymyr Zelensky disse que as forças ucranianas conseguiram "suster a invasão" e exortou os militares a "passarem à ofensiva". "Vamos expulsar o Diabo das nossas cidades", apelou.

Rússia avisa países vizinhos da Ucrânia
A Rússia avisou este domingo que qualquer país vizinho que oferecer as suas bases aéreas e aeroportos aos aviões de guerra ucranianos "será considerado como parte integrante do conflito".

Protestos alastram na Rússia
Mais de 4300 pessoas foram este domingo detidas na Rússia durante protestos contra a guerra em dezenas de cidades, incluindo Moscovo, num sinal claro de que a contestação interna à invasão da Ucrânia está a alastrar apesar da censura e do rígido controlo das autoridades.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram milhares de manifestantes a gritarem "não à guerra" e "vergonha" em cidades como Moscovo, São Petersburgo, Yekaterinburgo e até na Sibéria, onde os protestos antigovernamentais não costumam ter grande expressão. Os vídeos mostram vários manifestantes a serem agredidos pela polícia de choque, mas não há notícia de feridos. Segundo a ONG OVD-Info, registaram-se protestos em pelo menos 49 cidades.
Ativistas russos compararam a dimensão dos protestos deste domingo com as manifestações realizadas em janeiro do ano passado contra a detenção do opositor Alexei Navalny.
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