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Chanceler alemão justifica continuação de compra de combustíveis russos

Scholz declara que "é um desafio o facto de muitos países europeus, incluindo a Alemanha, estarem dependentes da importação de recursos fósseis da Rússia".
Lusa 28 de Abril de 2022 às 16:59
O chanceler alemão, Olaf Scholz
O chanceler alemão, Olaf Scholz FOTO: John Macdougall/ Pool via REUTERS
O chanceler alemão, Olaf Scholz, justificou esta quinta-feira a continuação da compra pela Alemanha de gás e outros combustíveis fósseis à Rússia, afirmando que é necessário tempo para encontrar outros fornecedores.

Falando durante a sua visita de dois dias ao Japão -a sua primeira viagem oficial ao continente asiático desde que assumiu o cargo, em finais do ano passado -, Scholz declarou que "é um desafio o facto de muitos países europeus, incluindo a Alemanha, estarem dependentes da importação de recursos fósseis da Rússia".

Scholz disse que o seu Governo pretende pôr fim às importações de carvão e petróleo russos este ano, acrescentando que "o mesmo acontecerá com o gás, mas é um processo que exigirá mais tempo".

Questionado sobre se está preocupado com a hipótese de a Rússia parar de fornecer gás à Alemanha, como aconteceu esta semana com a Polónia e a Bulgária, Scholz reconheceu que "qualquer interrupção [do abastecimento] teria consequências na situação económica".

Indicou igualmente que foi por essa razão que nenhumas sanções foram até agora impostas pela Alemanha ao fornecimento de energia da Rússia.

Tal foi decidido "em estreita cooperação com os nossos parceiros que são, eles mesmos, exportadores de energia e, portanto, se encontram numa posição diferente, como os Estados Unidos", frisou.

"Se o Governo russo vai tomar decisões a esse respeito e quais serão, só podemos especular, mas faz pouco sentido que o façamos", acrescentou.

Por sua vez, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, afirmou, na mesma linha, que Alemanha e Japão "reduzirão a sua dependência energética da Rússia", de acordo com os compromissos do G7 (grupo dos países mais industrializados do mundo, que conta ainda com Canadá, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido), e que procurarão outras formas de abastecimento e outras fontes energéticas também com o objetivo de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2).

O chanceler alemão disse que o seu país está apostado numa maior aproximação ao Japão em matéria económica e de segurança, no contexto da guerra da Ucrânia, e assegurou que os dois países continuarão a colaborar para dar "passos firmes" em resposta à Rússia.

"É um sinal político para mostrar o nosso compromisso ao mundo", afirmou Scholz, na conferência de imprensa conjunta após o encontro, que se centrou na coordenação da resposta à situação na Ucrânia no âmbito do G7, cuja presidência anual rotativa é atualmente detida pela Alemanha.

Ambos os dirigentes acordaram aprofundar a sua colaboração "devido ao facto de partilharem valores universais, algo que é atualmente muito importante", observou Scholz, referindo-se à guerra iniciada pela Rússia na vizinha Ucrânia.

Scholz e Kishida comprometeram-se a cooperar em temas concretos, como a aplicação de sanções à Rússia, manobras de defesa conjuntas, segurança económica, energia e ambiente.

A ofensiva militar russa iniciada na madrugada de 24 de fevereiro na Ucrânia -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar o país vizinho para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, e a guerra, que entrou hoje no 64.º dia, causou até agora a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5,3 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que a classifica como a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A ONU confirmou hoje que pelo menos 2.829 civis morreram e 3.180 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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