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"Deve ser desmilitarizada": Guterres preocupado com Zaporíjia diz que retirada russa é condição para negociações

Presidente da Ucrânia, Turquia e Secretário-geral das Nações Unidas estão em Lviv para anunciar novos acordos com a Rússia.
Correio da Manhã e Lusa 18 de Agosto de 2022 às 18:47
Conferência de imprensa em Lviv
Conferência de imprensa em Lviv FOTO: Reuters
António Guterres começou a conferência de imprensa desta quinta-feira, em Lviv, por dizer que continua muito preocupado com a situação que se vive atualmente na central nuclear  de Zaporijia. O secretário-geral da ONU afirma que sem que a Rússia se retire da maior central nuclear europeia, não haverá conversações.

De seguida, foi abordada a questão da exportação de cereais ucranianos e fertilizantes, um dos recentes acordos conseguidos entre estes países. Estas iniciativas pretendem "garantir uma estabilização económica, vital principalmente para o inverno que se avizinha", diz o representante da ONU.

"As pessoas precisam de paz", refere António Guterres. Retomando o tema da central nuclear, o secretário-geral da ONU diz que Zaporijia não deve ser usada para qualquer operação militar. Deve sim, ser retomada a função e controlo puramente civil. "Qualquer situação que colocasse a central em perigo seria um desastre total", termina.

Já o presidente ucraniano começa a sua intervenção dizendo que "sem a retirada do exército russo do território ucraniano, não há conversações de paz". O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, excluiu  qualquer negociação de paz com Moscovo sem a retirada prévia das tropas russas do território da Ucrânia.

"Pessoas que matam, violam, atacam as nossas cidades civis com mísseis de cruzeiro todos os dias não podem querer a paz. Deveriam primeiro abandonar o nosso território, e então veremos", declarou Zelensky, sublinhando "não confiar na Rússia".

Já o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou para o risco de uma nova catástrofe nuclear que poderá resultar da invasão russa da Ucrânia, depois da que ocorreu na central de Chernobil em 1986. "Não queremos uma nova Chernobil", disse.

Este foi o primeiro encontro entre Erdogan e Zelensky e a primeira deslocação do líder turco à Ucrânia desde o início da guerra.

"Ao continuarmos os nossos esforços para uma solução, temos estado e continuamos a estar do lado dos nossos amigos ucranianos", disse Erdogan, que desde início do conflito tem procurado manter uma posição de mediação entre Moscovo e Kiev.

A situação na central nuclear de Zaporijia (sudeste) tem causado preocupação generalizada, com ucranianos e russos a acusarem-se mutuamente de ataques contra o complexo, o maior do género na Europa, que podem causar um desastre nuclear.

Em 1986, quando ocorreu o acidente na central nuclear de Chernobil, considerado o mais grave de sempre, a Ucrânia integrava a antiga União Soviética. A Ucrânia tem quatro centrais nucleares em funcionamento, com um total de 15 reatores, seis dos quais na de Zaporijia.

Erdogan disse que em Lviv foram ainda discutidas formas de "aumentar as atividades do mecanismo" que permitiu retomar a exportação dos cereais ucranianos que estavam retidos pela guerra.

Considerou que Ucrânia, Rússia, Turquia e ONU deram um "exemplo histórico" com o acordo sobre os cereais, alcançado no final de julho, em Istambul.

Desde que o acordo entrou em vigor, em 01 de agosto, 25 navios transportaram cerca de 625 mil toneladas de cereais que estavam retidos nos portos ucranianos, referiu. "Não só a Ucrânia, mas o mundo inteiro começou a sentir os reflexos positivos do acordo de Istambul, que tornou possível a exportação segura de cereais para os mercados mundiais através do Mar Negro", afirmou, citado pela agência turca Anadolu.

Erdogan disse que avaliou com Zelensky e Guterres "possibilidades de transformar numa paz permanente a atmosfera positiva criada pelo consenso de Istambul".

Os três líderes concordaram que a comunidade internacional deve "assumir mais responsabilidades" no processo diplomático.

"Pessoalmente, mantenho a minha convicção de que a guerra acabará por terminar à mesa das negociações", afirmou Erdogan, referindo que Zelensky e Guterres "estão de acordo sobre este ponto".

Erdogan considerou ser necessário "identificar o caminho mais curto e mais justo para a mesa de negociações", e reafirmou a oferta da Turquia para relançar as negociações entre a Ucrânia e a Rússia.

"Estamos prontos a desempenhar novamente o papel de facilitador ou mediador para fornecer todo o tipo de apoio para este objetivo", disse.

Na reunião, os três líderes também falaram sobre a troca de prisioneiros de guerra entre as duas partes em conflito, disse ainda Erdogan, sem pormenorizar.

Antes do encontro trilateral, Erdogan reuniu-se com Zelensky e os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de um memorando de entendimento para a participação da Turquia na reconstrução das infraestruturas da Ucrânia. O documento foi assinado pelos ministros das Infraestruturas ucraniano, Oleksandr Kubrakov, e do Comércio turco, Mehemet Mus.

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