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Correio da Manhã

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ONG suíça apela ao governo para adotar medidas contra oligarcas russos

Public Eye indica que a Suíça tem constituído um "popular refúgio" para que empresários e magnatas russos depositem dividendos.
Lusa 4 de Julho de 2022 às 13:35
Bandeira da Suiça
Bandeira da Suiça FOTO: Reuters
Uma organização governamental (ONG) da Suíça pediu esta segunda-feira ao Governo que o país deixe de funcionar como um "refúgio seguro" para os oligarcas russos e como centro para o comércio de petróleo, cereais e carvão russos.

A Public Eye apelou ao executivo suíço que "utilize todos os meios à sua disposição para interromper o financiamento desta agressão inumana", numa referência à invasão militar da Ucrânia pela Rússia.

A ONG emitiu esta declaração no dia em que Presidente suíço, Ignazio Cassis, acolhe responsáveis governamentais, organizações da sociedade civil e instituições das Nações Unidas que participam numa conferência sobre a reconstrução da Ucrânia. Portugal está representado pelo ministro da Educação, João Costa.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participa através de uma mensagem vídeo. Cassis deverá acolher pessoalmente o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyal, que lidera uma delegação de vários ministros e deputados provenientes de Kiev.

Diplomatas suíços referiram que o encontro visa delinear um roteiro destinado a ajudar o país em guerra no processo de recuperação e reconstrução após o final do conflito.

A Public Eye considerou que "na qualidade de refúgio seguro para oligarcas próximos do Kremlin e como centro para o comércio de petróleo, cereais e carvão russos, a Suíça possui uma enorme responsabilidade política".

A ONG indica ainda que, ao longo dos anos, a Suíça tem constituído um "popular refúgio" para que empresários e magnatas russos depositem os seus dividendos, considerando que as empresas utilizam a Suíça como "um centro de comércio não regulamentado" e aproveitam-se da ausência de transparência sobre as transações financeiras no país.

A organização saudou o "compromisso humanitário" da Suíça face à Ucrânia através da promoção desta conferência, mas apelou ao Governo helvético que aplique de forma estrita as sanções internacionais contra as elites russas e o Governo de Moscovo e promova uma melhor regulamentação das atividades comerciais no país alpino.

A Suíça é um importante centro financeiro internacional e o seu Governo argumenta habitualmente com a "neutralidade" suíça -- que está prevista na lei da confederação -- e o papel do país como um intermediário entre países hostis e anfitrião de muitas organizações internacionais e instituições das Nações Unidas.

A Associação de bancos suíços calcula que os bens de clientes russos depositados nos bancos suíços ascendem aos 150/200 mil milhões de francos suíços (148/201 mil milhões de euros), tornando o país num repositório de moeda russa no exterior.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para Kiev e a imposição a Moscovo de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

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