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Portugal lamenta levantamento de sanções pelos EUA à Rússia e diz que prejudica Kiev

Estados Unidos anunciaram que autorizaram temporariamente a venda de petróleo russo armazenado em navios.

16 de março de 2026 às 17:23

O ministro dos Negócios Estrangeiros português lamentou esta segunda-feira o levantamento temporário de sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo já em trânsito, considerando que "não é positivo" e prejudica a Ucrânia.

"Julgo que é um desenvolvimento que não é positivo porque a Rússia, pela própria natureza das coisas, já teria aqui uma vantagem resultante da subida dos preços do petróleo e obviamente que levantar sanções à Rússia neste momento julgo que tem um efeito sobre o conflito na Ucrânia que é negativo", afirmou Paulo Rangel.

O chefe da diplomacia portuguesa falava aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, e reagia ao facto de, na quinta-feira passada, os Estados Unidos terem anunciado que autorizaram temporariamente a venda de petróleo russo armazenado em navios, devido à subida dos preços desde o início da guerra no Irão.

Nestas declarações aos jornalistas, Paulo Rangel foi ainda questionado sobre o facto de a Hungria continuar a bloquear um empréstimo da UE de 90 mil milhões euros à Ucrânia, assim como o 20.º pacote de sanções à Rússia, por acusar Kiev de impedir propositadamente a transferência de petróleo russo para o seu território através do oleoduto Druzhba.

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou "muito lamentável a posição que a Hungria tem tomado neste conflito, seja quanto à questão do empréstimo, seja quanto à questão do 20.º pacote de sanções".

"Estamos a falar de duas matérias que estão paralisadas, para não dizer num impasse, por causa da Hungria", criticou, referindo que já foram apresentadas alternativas para a Hungria se conseguir abastecer em petróleo enquanto o oleoduto Druzhba não é reparado.

"Existem alternativas, desde logo uma alternativa por via da Croácia, que está perfeitamente habilitada a resolver este problema. Portanto, sinceramente, a posição da Hungria é altamente lamentável e eu isso tive a oportunidade de dizer hoje de forma muito clara e contundente no Conselho", afirmou.

O Departamento do Tesouro norte-americano emitiu uma licença que autoriza a venda durante um mês de petróleo bruto e derivados russos carregados em navios antes de quinta-feira.

A decisão "não proporcionará um benefício financeiro significativo ao Governo russo", afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

Em reação, Kirill Dmitriev, enviado do Presidente russo, Vladimir Putin, para as questões económicas, considerou que o petróleo russo é essencial para a estabilidade do mercado global.

"Os Estados Unidos estão, na verdade, a reconhecer o óbvio: sem petróleo russo, o mercado global de energia não pode manter-se estável", afirmou Dmitriev.

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