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Reino Unido proíbe investimentos e aperta sanções à Rússia

Represálias incluem os setores bancário, da energia e mais oligarcas.
Lusa 6 de Abril de 2022 às 18:08
Guerra na Ucrânia
Guerra na Ucrânia FOTO: Reuters
O Reino Unido proibiu esta quarta-feira futuros investimentos britânicos na Rússia e apertou as sanções económicas ao país na sequência do alegado massacre de civis na Ucrânia, visando os setores bancário, da energia e mais oligarcas.

As novas medidas anunciadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico incluem "um congelamento completo dos ativos" do principal banco russo (Sberbank), o fim das importações de carvão e petróleo russo até o final do ano e sanções visando oito empresários, incluindo o magnata Leonid Mikhelson, que dirige o grupo de gás Novatek.

O novo pacote de sanções surge na sequência de "notícias de ataques abomináveis a civis na Ucrânia", numa referência ao alegado massacre ocorrido na cidade de Bucha, perto da capital ucraniana, Kiev.

Além do Sberbank, também foi ordenado um congelamento de ativos do Credit Bank of Moscow, elevando para 18 o número de bancos russos sancionados pelo Reino Unido.

A proibição de novos investimentos na Rússia, indica o Ministério britânico num comunicado, "será outro grande golpe para a economia russa", pois em 2020 o investimento britânico no mercado russo foi superior a 11 000 milhões de libras (13 000 milhões de euros). 

O Governo britânico anunciou ainda a proibição da importação de produtos de ferro e aço da Rússia, indicando também que pretende acabar com a dependência de carvão e petróleo russos até ao final de 2022 e de gás "o mais rápido possível". 

Ainda no setor da energia, vai proibir a exportação de equipamentos e catalisadores de refinação de petróleo, debilitando a capacidade da Rússia de produzir e exportar petróleo.

Por fim, Londres incluiu na lista de centenas de russos já sancionados mais oito oligarcas, incluindo Viatcheslav (Moshe) Kantor, o maior acionista da empresa de fertilizantes Acron, Andrey Guryev, fundador da produtora de fertilizantes PhosAgro, Sergey Kogogin, diretor da construtora de veículos, incluindo militares, Kamaz, e Sergey Sergeyevich Ivanov, presidente do maior produtor mundial de diamantes, Alrosa.

Outros visados pelo congelamento de bens e proibição de viagens são Andrey Akimov, presidente do terceiro maior banco da Rússia, Gazprombank, Aleksander Dyukov, presidente do terceiro maior produtor de petróleo estatal da Rússia, GazpromNeft, e Boris Borisovich Rotenberg, filho do coproprietário da maior produtora de gasodutos da Rússia, SGM. 

A família Rotenberg e outros destes empresários são conhecidos por terem uma ligação próxima ao Presidente russo, Vladimir Putin.

Ao todo, 82 oligarcas russos e familiares estão sujeitos a sanções do Reino Unido, mas se incluirmos políticos, a lista ultrapassa as 500 pessoas. 

"Juntamente com os nossos aliados, estamos a mostrar à elite russa que não podem lavar as mãos das atrocidades cometidas por ordem de [Vladimir] Putin", disse hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss.

A chefe da diplomacia britânica disse que vai propor na reunião com os seus homólogos dos países do G7 (as sete maiores economias do mundo), na quinta-feira em Bruxelas, "mais ação coletiva, incluindo um calendário acelerado para que todos os países do G7 acabem com a dependência da energia russa".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.563 civis, incluindo 130 crianças, e feriu 2.213, entre os quais 188 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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