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Correio da Manhã

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Ucraniano pedala entre escombros e bombardeamentos para fugir do conflito em Severodonetsk

Um ciclista já experiente que nunca tinha pedalado pela sobrevivência: "Esta foi a viagem mais louca da minha vida".
Filipa Novais e Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 28 de Maio de 2022 às 18:46
Arif Bagirov
Arif Bagirov FOTO: Direitos Reservados
Um homem ucraniano conseguiu fugir da guerra em Severodonetsk na sua bicicleta, desviando-se dos bombardeamentos e ataques russos pelo caminho. Pedalou 70 quilómetros desde a sua cidade natal até Bakhmut, também na Ucrânia.

Arif Bagirov, 45 anos, disse em entrevista à BBC que esta foi a "viagem mais louca" que já fez na vida. "Houve muitos disparos e pelo menos dois ataques aéreos perto de mim", disse.

A tática, segundo o blogger ucraniano, foi saber que caso uma bomba atingisse uma certa zona, o mais provável era que os russos não voltariam a atacar aquele local. Assim, conseguiu delinear o caminho mais seguro para escapar da guerra na cidade natal.

O homem contou ainda que as estradas estavam em muito mau estado, com muitos buracos e escombros. "Felizmente não vi nenhum corpo no chão pelo caminho, mas percebia-se que tinham morrido ali gente", explicou.

Arif conseguiu evitar ser visto pelos aviões russos porque ouvia-os à distância e abrigava-se debaixo do que encontrasse até estar livre de perigo. "Uma vez encontrei uma vala, deitei-me lá e fiquei quieto até que o avião passasse", conta.

Disse ainda que foi um grande alívio quando, finalmente, chegou a Bakhmut, uma cidade sob controlo ucraniano mais a oeste de Severodonetsk.

"Enquanto andava de bicicleta não sentia tanto medo, era mais uma sensação de raiva: 'Esta é a minha terra, este é o meu país! E eu vou completar esta viagem quer queiram quer não'", contou o ucraniano.

"Foi definitivamente a viagem mais louca que fiz numa bicicleta", acrescentou Bagirov, que já tinha percorrido as mesmas distâncias em bicicleta algumas vezes, mas nunca nestas ciscunstâncias.

Arif diz que não sabe o que o futuro lhe reserva, mas espera poder regressar em breve à sua cidade natal.
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