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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

UE propõe mais 500 milhões de euros para financiar armas

"Isso pode parecer muito, mas mil milhões de euros é o que nós pagamos por dia a Putin pela energia que ele nos fornece", diz Josep Borrell.

08 de abril de 2022 às 00:28

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, propôs aumentar em 500 milhões de euros o financiamento das armas para a Ucrânia, anunciou quinta-feira o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, expressando o seu apoio à iniciativa.

"Uma vez rapidamente aprovada [pelos Estados-membros], esta proposta elevará a 1,5 mil milhões de euros a ajuda da União Europeia fornecida à Ucrânia para material militar", escreveu na rede social Twitter o responsável, que lidera o órgão que agrupa os dirigentes dos 27 países da UE.

A proposta foi hoje acordada ao nível dos embaixadores, no âmbito da Comissão Política e de Segurança, indicou uma fonte diplomática.

Até agora, os Vinte e Sete tinham aprovado uma verba de mil milhões de euros para fornecer armamento a Kiev.

"Isso pode parecer muito, mas mil milhões de euros é o que nós pagamos por dia ao [Presidente russo, Vladimir] Putin pela energia que ele nos fornece", sublinhou na quarta-feira Josep Borrell.

Os financiamentos provêm da "Instrumento Europeu para a Paz", um fundo dotado de cinco mil milhões de euros criado e alimentado pelos Estados-membros à margem do orçamento comunitário.

O dinheiro é utilizado para reembolsar os fornecimentos de armamento retirados pelos Estados-membros dos seus arsenais.

Numa reunião da NATO hoje em Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, pressionou os Aliados a fornecerem mais armas ao seu país "agora", para repelir a ofensiva russa.

"Ou nos ajudam agora -- e estou a falar de dias, não de semanas, ou a vossa ajuda chegará demasiado tarde", alertou.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou que os Aliados estão "conscientes da urgência" e falou de um "apoio significativo" por parte da organização, sem querer "ser muito preciso sobre o armamento que será fornecido".

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de 4,3 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU -- a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa -- justificada por Putin com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 43.º dia, causou um número ainda por determinar de mortos civis e militares e, embora admitindo que "os números reais são consideravelmente mais elevados", a organização confirmou hoje pelo menos 1.611 mortos, incluindo 131 crianças, e 2.227 feridos entre a população civil.

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