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Ataque na véspera do casamento entre mulher russa e soldado ucraniano não impediu o “sim”

Durante seis dias seguidos, o casal foi ao cartório, mas não conseguiu entregar os documentos devido às constantes sirenes de ataque aéreo.

09 de setembro de 2026 às 18:40

A Guerra na Ucrânia adiou várias vezes o casamento de Liudmyla Ryzhak, russa, com Leonid Ryzhak, soldado ucraniano. Na noite anterior ao tão esperado dia, um ataque do Kremlin atingiu um armazém do outro lado da rua do prédio onde vivem, em Kiev. Na manhã seguinte, terça-feira, o casal teve de desenterrar dos escombros as roupas que havia escolhido para a cerimónia.

O vestido estava passado a ferro, a saia branca esticada e a camisa de estampa tradicional de Leonid pronta a vestir. Mas, quando chegou o dia do casamento, estava tudo debaixo dos escombros.

Naquela manhã, acordaram ao som das explosões. Com os ouvidos ensurdecidos pelo impacto, o primeiro pensamento foi o risco de um segundo ataque. Fugiram então para um abrigo com a filha de Liudmyla, de seis anos, e dois porquinhos-da-índia. O gato ficou para trás, escondido e assustado.

Quando voltaram, os vizinhos que limpavam os escombros pararam para os felicitar. Leonid vestia uma vyshyvanka bordada, uma camisa tradicional ucraniana, com um padrão que combinava com o vestido de Liudmyla. As calças militares substituíram as que tinha comprado para a cerimónia, mas que não conseguiu encontrar no meio de tanto lixo.

Ainda assim, a esperança e a vontade de dar um nó ao amor venceram. “Se Deus me deu uma continuação da vida, por que eu deveria adiá-la?”, disse a noiva. “Para alguém, ela terminou. E quem pode garantir que isso não acontecerá novamente amanhã? Que o amanhã não chegará para nós? Pelo menos por enquanto, tenho o direito de ser feliz. Tanto ele quanto eu”, contou.

O casal conheceu-se há três anos, através de um amigo em comum. Ambos já tinham filhos de relações anteriores. Da amizade nasceu uma relação que se foi aprofundando, também com o apoio de Liudmyla a Leonid, que estava na linha da frente da guerra.

Durante seis dias seguidos, o casal foi ao cartório, mas não conseguiu entregar os documentos devido às constantes sirenes de ataque aéreo.

O ataque, indica a Associated Press, ocorreu logo após a visita dos enviados especiais dos Estados Unidos à Ucrânia, no passado domingo.

Um 'casamento de guerra', adiado pelo medo e pela incerteza de uma vida marcada pelo conflito, sem saberem quando poderiam finalmente celebrar o amor, ou se chegariam a estar vivos para o fazer.

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