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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Zelensky promete reparar oleoduto Druzhba após ataque russo

Chefe de Estado ucraniano assegurou que, apesar dos ataques diários com mísseis e drones russos, Kiev está a "envidar todos os esforços" para reparar os danos e retomar o transporte de petróleo para a Europa Central.

17 de março de 2026 às 13:42

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garantiu à União Europeia (UE) que o oleoduto Druzhba será reparado "o mais rapidamente possível", após um ataque russo em janeiro, segundo uma carta esta segunda-feira divulgada pelo Conselho Europeu.

"A Ucrânia é um parceiro energético fiável da UE e cumpre integralmente os seus compromissos", escreveu Zelensky numa carta enviada ao Conselho Europeu e à Comissão Europeia, dois dias antes de uma cimeira europeia, entre quinta e sexta-feira, e na qual o líder ucraniano participará.

O chefe de Estado ucraniano assegurou que, apesar dos ataques diários com mísseis e drones russos, Kiev está a "envidar todos os esforços" para reparar os danos e retomar o transporte de petróleo para a Europa Central.

Pouco antes da divulgação da carta, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram apoio técnico e financeiro da UE para reativar o oleoduto, cujo funcionamento foi interrompido após o ataque de 27 de janeiro.

A interrupção do fornecimento através do Druzhba afetou diretamente a Hungria e a Eslováquia, desencadeando uma crise política em Bruxelas.

Budapeste ameaçou bloquear o 20.º pacote de sanções da UE contra a Rússia e travar a emissão de dívida destinada a financiar um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, até que o fluxo de petróleo fosse restabelecido.

A Comissão Europeia e o Conselho Europeu vinham a pressionar Kiev desde o final de fevereiro para avançar com as reparações, apesar das reservas iniciais de Zelensky, que considerava injusto reconstruir infraestruturas danificadas por Moscovo e potencialmente geradoras de receitas para a Rússia.

Na semana passada, o Presidente ucraniano chegou a classificar as exigências europeias como "chantagem", num contexto de crescente tensão com alguns Estados-membros.

Na carta agora divulgada, Zelensky rejeita ter interrompido o fornecimento por motivos políticos, como foi alegado pelas autoridades da Hungria, sublinhando que os danos resultaram exclusivamente do ataque russo.

Bruxelas espera que a retoma da passagem de petróleo contribua para desbloquear o apoio financeiro à Ucrânia, considerado essencial para a estabilidade do país e para sustentar o esforço de guerra nos próximos dois anos.

Zelensky manifestou ainda a expectativa de que o empréstimo europeu seja disponibilizado rapidamente, apontando para o início de abril como data para a chegada da primeira tranche.

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