Oeiras retirou cartaz contra abusos sexuais na Igreja por ser ilegal

No cartaz lia-se a frase "Mais de 4.800 crianças abusadas pela Igreja católica em Portugal", em inglês.

02 de agosto de 2023 às 17:22
Cartaz contra abusos sexuais na Igreja retirado por ser ilegal Foto: Twitter
Cartaz contra abusos sexuais na Igreja Foto: Twitter

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Um dos três cartazes em que se denunciam os abusos sexuais a crianças na Igreja portuguesa, colocado em Algés, foi retirado por ordem da Câmara Municipal de Oeiras por ser "publicidade ilegal".

"No Município de Oeiras toda a publicidade ilegal é retirada, neste e em todos os casos", justificou a autarquia, em resposta à agência Lusa.

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Os cartazes em causa, em que se lê a frase "Mais de 4.800 crianças abusadas pela Igreja católica em Portugal", em inglês, ilustrada por 4.800 pontos que representam cada uma das vítimas, foram colocados esta quarta-feira de madrugada em Lisboa, Loures e Algés.

Ao início da tarde, uma das promotoras, Telma Tavares, denunciou que o cartaz colocado em Algés teria sido retirado pela Polícia Municipal. "Censura em Algés, após quase 50 anos do 25 de abril", escreveu na rede social X (ex-Twitter).

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"Luto pela liberdade de expressão das +4800 vítimas, por um memorial que erguemos para que ninguém se esqueça delas. Não esquecemos", acrescenta.

A ideia deste movimento "This is our memorial" (Este é o nosso memorial) nasceu no Twitter e os promotores fizeram uma recolha de fundos que permitiu a colocação dos cartazes.

A iniciativa de um grupo de pessoas surgiu nas redes sociais antes da JMJ.

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O último ano e meio na Igreja portuguesa foi marcado pelas suspeitas de casos de abuso que saltaram para o domínio público e que deram origem a uma comissão independente para estudar esses abusos.

Em novembro de 2021, mais de duas centenas de católicos defenderam que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deveria "tomar a iniciativa de organizar uma investigação independente sobre os crimes de abuso sexual na Igreja".

O documento, assinado por figuras como a escritora Alice Vieira, o deputado José Manuel Pureza, o jornalista Jorge Wemans ou o ex-presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, era perentório: "Se queremos manter um diálogo com a sociedade a que pertencemos e que servimos, não existe alternativa!".

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Poucos dias depois, o pedopsiquiatra Pedro Strecht era nomeado pela CEP como coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja.

Esta comissão iniciou o seu trabalho no dia 11 de janeiro de 2022, apresentou resultados em fevereiro deste ano e anunciou a validação de 512 testemunhos de alegados casos de abuso em Portugal, apontando, por extrapolação, para pelo menos 4.815 vítimas.

Os testemunhos referem-se a casos ocorridos entre 1950 e 2022, o espaço temporal abrangido pelo trabalho da comissão.

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No relatório, a comissão alertou que os dados recolhidos nos arquivos eclesiásticos sobre a incidência dos abusos sexuais "devem ser entendidos como a 'ponta do iceberg'" deste fenómeno.

Na sequência destes resultados, algumas dioceses afastaram cautelarmente sacerdotes do ministério.

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