Somália é um dos muitos países cujos cidadãos estão sujeitos à proibição de viagens para os Estados Unidos imposta pela administração Trump.
O árbitro Omar Abdulkadir Artan, da Somália, vai falhar o Mundial2026 de futebol, após ter-lhe sido negada autorização para entrar nos Estados Unidos, informou na segunda-feira a FIFA à agência de notícias francesa AFP.
"A FIFA confirma que o árbitro Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar ou apitar jogos do Mundial2026, depois de lhe ter sido negada a entrada nos Estados Unidos", anunciou em comunicado o organismo liderado por Gianni Infantino.
A entidade que organiza o Campeonato do Mundo sublinhou que "não interfere nos procedimentos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos", e que foi informada pelas autoridades de que "a situação do senhor Artan não será alterada neste momento".
E acrescentou: "De acordo com as competições anteriores da FIFA, o governo do país anfitrião tem a palavra final sobre quem recebe um visto e é admitido no seu território".
Os motivos da deportação de Omar Abdulkadir Artan ainda são desconhecidos e, contactada pela AFP, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) indicou que "no dia 06 de junho (sexta-feira), um cidadão somali chegou ao Aeroporto Internacional de Miami vindo do Aeroporto Internacional de Istambul (...)".
"Durante os procedimentos, o viajante foi submetido a uma triagem adicional, uma etapa de rotina. Após a triagem, o viajante, árbitro do Mundial, foi considerado inadmissível devido a problemas com a sua verificação de antecedentes e foi-lhe negada a entrada", referiu a mesma entidade norte-americana.
No entanto, "Omar Abdulkadir Artan tinha um visto válido", disse à AFP na segunda-feira Ciise Aden Abshir, conselheiro sénior do Ministério da Juventude e Desporto da Somália.
A Somália é um dos muitos países cujos cidadãos estão sujeitos à proibição de viagens para os Estados Unidos imposta pela administração Trump.
Omar Abdulkadir Artan "está entre os árbitros mais respeitados de África" e "negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de apitar (...) não só o prejudica pessoalmente, como também mina o compromisso do futebol com a justiça, o mérito e o espírito do fair play", lamentou Ciise Aden Abshir.
"A comunidade futebolística deve apoiá-lo neste momento difícil", acrescentou o antigo capitão da seleção somali.
Omar Abdulkadir Artan estava apontado para ser o primeiro árbitro somali a arbitrar um Mundial. Aos 34 anos, era um dos 52 árbitros selecionados para arbitrar a competição co-organizada pelo Canadá, México e Estados Unidos, e que decorrerá entre quinta-feira e 19 de julho.
"Elogio os esforços, o profissionalismo e a integridade demonstrados pelo árbitro Omar, que se tornou uma inspiração para a nova geração de somalis", disse Hassan Sheikh Mohamud, presidente do país que nunca se qualificou para um Mundial, no dia da sua nomeação.
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