Redes sociais concentraram quase metade das evidências validadas, seguindo-se ações de marketing de influência através de criadores de conteúdos digitais, com mais de 30 ocorrências.
O Verificador de Apostas Reguladas (VAR) Mundial detetou mais de 100 casos de promoção a operadores de jogo online ilegais durante o Mundial2026 de futebol, revelou esta sexta-feira a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos (APAJO).
As redes sociais concentraram quase metade das evidências validadas, seguindo-se ações de marketing de influência através de criadores de conteúdos digitais, com mais de 30 ocorrências.
Foram ainda registados casos associados a pesquisas em motores de busca (sete), grupos da aplicação Telegram (seis) e artigos patrocinados em órgãos de comunicação social portugueses (quatro).
Em comunicado, o presidente da direção da APAJO, Ricardo Domingues, considerou que os dados demonstram uma exposição "massiva, diária e contínua" dos portugueses ao mercado ilegal de jogo online, sobretudo entre os mais jovens.
"Estes primeiros dados mostram que o VAR Mundial era uma iniciativa necessária. Ultrapassar a barreira das 100 evidências validadas em apenas uma semana, prova que a exposição dos portugueses - especialmente dos mais jovens - ao mercado ilegal é massiva, diária e contínua", afirmou aquele responsável, citado no comunicado.
Ricardo Domingues sublinhou que o combate ao jogo clandestino deve ser "a primeira prioridade do Estado no que toca ao jogo online" e realçou a importância da publicidade legal para canalizar os utilizadores para a oferta regulada.
A APAJO refere que vários dos conteúdos identificados recorrem à imagem de futebolistas presentes no Mundial2026, de seleções e da própria competição, bem como da FIFA. Entre os exemplos recolhidos constam referências a jogadores como o francês Kylian Mbappé e o inglês Jude Bellingham.
"Mais recentemente, e já após os 100 casos, a APAJO recolheu evidências que utilizam a identidade de Vozinha [guarda-redes da seleção de Cabo Verde] e do próprio Cristiano Ronaldo, que irá denunciar [o caso] entre hoje e amanhã", lê-se no comunicado.
A APAJO assinala ainda que foram detetados casos de utilização indevida da identidade de operadores licenciados, casinos portugueses e influenciadores digitais.
Os casos foram identificados através da iniciativa VAR Mundial, lançada no arranque da competição, e resultam de monitorização própria e de denúncias enviadas por cidadãos.
Segundo os dados mais recentes do setor, cerca de 40% dos portugueses que apostam online recorrem a plataformas sem licença em Portugal, sendo que 61% dos utilizadores dessas plataformas desconhecem a sua situação ilegal.
A campanha VAR Mundial vai decorrer durante os 39 dias do Mundial2026 e vai origem a um relatório que será remetido às autoridades reguladoras e fiscalizadoras competentes, acrescenta a APAJO.
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