"Estamos a identificar potenciais voluntários para futuras missões a médio e longo prazo. Os danos provocados pelos sismos vão exigir um apoio médico robusto", sublinha a OM.
A Ordem dos Médicos (OM) informou esta segunda-feira que está a identificar potenciais voluntários, preferencialmente médicos venezuelanos ou lusodescendentes, para constituir uma bolsa para "apoio na recuperação e reconstrução da resposta médica" após os sismos na Venezuela.
Em comunicado, a OM afirma que perante a dimensão da catástrofe, que já provocou quase 1.500 mortos e mais de 3.000 feridos, a necessidade de reforço das equipas no terreno, tendo o Gabinete de Apoio Humanitário (GAHOM) ativado "os mecanismos de identificação internos" para criar uma reserva de médicos que poderão integrar uma resposta do Estado português ou de organizações não governamentais, "devidamente certificadas e de credibilidade".
A ordem acrescenta que já enviou esta informação ao Ministério da Saúde, ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, assegurando total articulação institucional.
"Estamos a identificar potenciais voluntários para futuras missões a médio e longo prazo. Os danos provocados pelos sismos vão exigir um apoio médico robusto nos próximos anos", sublinha a OM.
Na mesma nota, o coordenador do GAHOM, Vítor Almeida, acrescenta que a preocupação da OM "é contribuir para a reconstrução da resposta em saúde e ajudar a estancar os previsíveis problemas de saúde gerados pela catástrofe".
Por seu turno, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, destaca que "os médicos portugueses têm uma vasta experiência e capacidade de resposta em cenário de crise" e que "a urgência de hoje dará lugar à necessidade de um apoio mais integrado e estratégico nos próximos meses" e é nisso que já estão a trabalhar.
A OM reafirma o seu "compromisso com a solidariedade internacional, com a defesa da vida e com o apoio às populações afetadas por catástrofes naturais, colocando o conhecimento e a competência dos médicos portugueses ao serviço das operações que venham a decorrer na Venezuela".
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho passado causaram pelo menos 1.450 mortos e 3.150 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 56 portugueses e lusodescendentes, e outros 91 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
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