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Correio da Manhã

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Vai tudo abaixo

A política do facto consumado continua a fazer estragos. Foi o que aconteceu na Moita e Alhos Vedros, com a demolição das antigas estações de comboio. As populações fizeram sentir a sua revolta, mas infelizmente de nada serviu. O processo arrastou-se e de um momento para o outro foi tudo abaixo.

8 de Junho de 2008 às 00:30
Vai tudo abaixo
Vai tudo abaixo

Defendendo a sua causa, as gentes da Moita e Alhos Vedros dizem que as antigas estações faziam parte das suas memórias e que deveria ter sido acautelada a sua preservação.Por seu turno, a Refer alega que todo o processo decorrente da electrificação da linha de comboio e remodelação das estações foi transparente e que ouviu as partes envolvidas.

Lamentamos que não tivesse sido possível um encontro de vontades entre populares, autarcas e técnicos. É certo que as obras são necessárias, mas também é certo que não devemos, à conta do progresso, apagar as memórias. Não é o valor arquitectónico das antigas estações que estava em causa. Nessa matéria, todos estão de acordo. Mas há algo que não tem valor: a memória.

Tem de haver um meio termo, sob pena de um dia acordarmos num País sem memória e onde impera a modernidade. Que este caso sirva para reflectirmos sobre o que queremos. Será assim tão difícil conciliar modernidade e tradição? O que não se pode é continuar com a política do vai tudo abaixo.

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