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Correio da Manhã

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Alpoim Calvão (1937-2014)

Operacional comandou a 'Operação Mar Verde' durante a guerra colonial na Guiné.
30 de Setembro de 2014 às 11:50
Alpoim Calvão morreu aos 77 anos
Alpoim Calvão morreu aos 77 anos FOTO: Vítor Mota

O comandante Alpoim Calvão morreu na madrugada desta terça-feira no Hospital de Cascais, onde estava internado. Tinha 77 anos.

Com apenas um ano de idade, Guilherme Almor de Alpoim Calvão deixou Chaves e partiu com os pais para Moçambique.

Ganhou em África o gosto pelo mar. Descendente de uma família de militares, tomou para si o chamamento da farda e nunca quis outra coisa que não fosse a Marinha.

Quando a Guerra Colonial rebenta em Angola, em 1961, Alpoim está colocado nos submarinos. Percebe que nunca seria mobilizado para a guerra, como tanto desejava, se continuasse nos submersíveis. Pede então para ser transferido para os fuzileiros. Em menos de um ano, está a comandar um destacamento na Guiné – onde se notabiliza pela destreza em combate.

Ao longo da Guerra Colonial, Alpoim Calvão recebe as mais altas condecorações por feitos em combate: tem uma insígnia da Torre e Espada e duas Cruzes de Guerra. Na segunda comissão na Guiné, já sob as ordens do comandante-chefe António de Spínola, assume o comando das operações especiais. Protagoniza acções espectaculares, como a operação ‘Mar Verde’, em que toma de assalto a capital da Guiné-Conacri para libertar 24 prisioneiros portugueses.

De regresso a Portugal, Calvão chega a comandante da Polícia Marítima. Em 1974, é convidado para se juntar ao Movimento dos Capitães, que fariam o 25 de Abril. Recusa entrar no golpe porque os militares "não tinham definido o futuro do Ultramar". É o início da luta contra a esquerda. Combate o PCP à bomba: acredita que "Portugal corria então o risco de se tornar um país comunista" – e assume-se como o cérebro operacional do MDLP. Exilado após o golpe falhado de 11 de Março de 1975, inicia uma carreira empresarial no Brasil e na Guiné-Bissau.

Com três filhos e sete netos, dizia-se "um homem em paz".

Clique na imagem em baixo para ler a entrevista ao "eterno guerreiro"