António de Almeida Santos (1926-2016)

Corpo do fundador do PS em câmara ardente na Basílica da Estrela.
19.01.16
Acompanhou percurso de Almeida Santos?

O presidente honorário do PS, António de Almeida Santos, morreu na segunda-feira com 89 anos. Almeida Santos faleceu em sua casa, em Oeiras, pouco antes das 00h00.

Sócrates recorda amigo no velório de Almeida Santos

O presidente honorário do Partido Socialista sentiu-se mal após o jantar e foi ainda assistido ainda na sua residência. Almeida Santos, que completaria 90 anos a 15 de fevereiro, foi submetido por duas vezes a cirurgias cardiovasculares.

De acordo com uma fonte familiar, o corpo de Almeida Santos vai estar a partir das 17h00 desta terça-feira numa das capelas da Basílica da Estrela, que não a principal, saindo quarta-feira pelas 13h00 para o cemitério do Alto de São João.


Segundo a mesma fonte da família, o corpo será cremado quarta-feira pelas 14h00, não havendo lugar a cerimónias religiosas, respeitando assim a vontade do antigo ministro e presidente da Assembleia da República.


Figura de referência

O socialista foi uma figura de referência da democracia portuguesa, tendo ocupado a presidência da Assembleia da República entre 1995 e 2002.


Nasceu a 15 de fevereiro de 1926 em Cabeça (Seia) e licenciou-se em direito na Universidade de Coimbra em 1950. Foi intérprete do canto e da guitarra de Coimbra.


Cedo se estabeleceu em Lourenço Marques (atual Maputo), onde, de 1953 a 1974, exerceu advocacia e foi membro do Grupo dos Democratas de Moçambique.


Almeida Santos regressou a Portugal após o 25 de abril de 1974, a convite do então Presidente da República, António de Spínola, tornando-se num dos protagonistas da política nacional.


Como independente, foi ministro da Coordenação Interterritorial dos I, II, III e IV Governos Provisórios e ministro da Comunicação Social do VI Governo Provisório.


Ministro da Justiça
No I Governo Constitucional (1976-78), liderado pelo seu amigo Mário Soares, foi ministro da Justiça, cargo em que se destacou como um dos principais legisladores do executivo.  Enquanto ministro da Justiça, aderiu ao Partido Socialista (PS), no II Congresso deste partido.


No II Governo Constitucional foi ministro adjunto do primeiro-ministro e no VI Governo Constitucional foi ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares.


Desempenhou um papel determinante da primeira revisão constitucional em 1982 e, novamente, em 1988-1989. Nesta última, foi eleito vice-presidente da comissão de Revisão Constitucional. Foi eleito Presidente da Assembleia da República nas VII e VIII Legislaturas.


Conselho de Estado
Era membro do Conselho de Estado desde 1985. Foi ainda presidente do grupo parlamentar do PS entre 1991 e 1994 e presidente do PS entre 1992 e 2011, sendo substituído por Maria de Belém, que apoiava nestas eleições presidenciais. Ficou, depois dessa data, com o título de Presidente honorário do Partido Socialista.


Autor de dezenas de livros, ostentava várias condecorações, designadamente as portuguesas Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e da Ordem Militar de Cristo.


O último ato político do presidente honorário do PS foi o apoio à candidatura presidencial da socialista Maria de Belém, em Coimbra, no domingo passado.


Um dia antes de morrer, António de Almeida Santos afirmou que, se Maria de Belém Roseira sair derrotada das eleições presidenciais de 24 de janeiro, da próxima vez "ganha ela".


O antigo ministro de Mário Soares disse que a presença no almoço da candidatura foi "uma homenagem muito sincera" a Maria de Belém, de quem é "muito amigo".

pub

pub