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Morreu João Paulo Cotrim, jornalista e nome incontornável da banda desenhada

Funeral realiza-se esta quarta-feira a partir da Igreja de São João de Deus, na praça de Londres, em Lisboa.
26 de Dezembro de 2021 às 17:26
João Paulo Cotrim
João Paulo Cotrim FOTO: Direitos Reservados/Facebook
O jornalista e editor, João Paulo Cotrim, de 56 anos morreu este domingo. 

João Paulo Cotrim dirigiu a Bedeteca de Lisboa desde a sua abertura, em 1996, e até 2002. Durante este período organizou várias iniciativas e exposições.

Foi diretor do Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada durante quatro edições e responsável pela sua programação e dos catálogos e da mostra Ilustração Portuguesa.

Guionista para filmes de animação, João Paulo Cotrim escreveu novelas gráficas, ensaios e poesia e histórias para crianças e adultos. Foi jornalista e era editor da Abysmo.

Na sua vasta obra encontram-se novelas gráficas ("Salazar -- Agora, na Hora da Sua Morte"), ficção ("O Branco das Sombras Chinesas", com António Cabrita), ensaios ("Stuart -- A Rua e o Riso" ou "El Alma de Almada El Ímpar" -- Obra Gráfica 1926-1931), aforismos ("A Minha Gata") e poesia ("Má Raça", com Alex Gozblau), além de histórias para as infâncias ("Querer Muito", com André da Loba).

João Paulo Cotrim foi ainda professor no Ar Co, no departamento de Ilustração e BD, bem como no IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação, e colaborou no Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB).

No seguimento do confinamento imposto pela pandemia de covid-19, João Paulo Cotrim criou, em 2020, "Torpor. Passos de voluptuosa dança na travagem brusca", uma revista digital gratuita criada e disponibilizada pela editora Abysmo.

A edição procura captar o efeito que a crise pandémica e o confinamento tiveram "tanto nas artes como na vida", uma iniciativa que não foi planeada previamente, "resultou de sucessivos diletantes passeios pelas redes", nas quais João Paulo Cotrim descobriu um mundo que palpitava criação artística, contou o editor à Lusa, em maio do ano passado.

Entre os vários órgãos de comunicação social em que trabalhou consta a Revista Ler, Elle, Máxima, Marie Claire, Oceanos, Visão, Grande Reportagem, Colóquio-Letras, Der Spiegel, Le Monde e o suplemento DNA.

O romance "O Plantador de Abóboras", do escritor timorense Luís Cardoso, que venceu o Prémio Oceanos 2021, que anualmente destaca as melhores obras publicadas em língua portuguesa, foi um dos livros editados pela Abismo.

A 08 de dezembro, o escritor, que reside em Lisboa, dedicou o galardão ao seu editor, João Paulo Cotrim, assinalando já então que se encontrava doente.

Nas redes sociais, como o Facebook, multiplicam-se as despedidas e homenagens de autores e companheiros da carreira artística de João Paulo Cotrim. André Carrilho, Alexandra Lucas Coelho, José Teófilo Duarte e Bárbara Bulhosa foram alguns que assinalaram esta partida.

O funeral de João Paulo Cotrim realiza-se quarta-feira, a partir da Igreja de São João de Deus, na praça de Londres, em Lisboa, segundo fonte da família.

João Paulo Cotrim, que morreu hoje, aos 56 anos, estará em câmara ardente a partir das 10h00, sendo celebrada missa pelas 14h30, divulgou a sua mulher através da rede social Facebook.

Está prevista para as 15h30 a partida para o cemitério do Alto de S. João, onde será cremado pelas 16h00.

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