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Morreu o ator e encenador Armando Caldas, fundador do Teatro Moderno de Lisboa

Armando Caldas foi também membro dos órgãos sociais do Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo.
Lusa 13 de Março de 2019 às 21:20
Armando Caldas
Armando Caldas FOTO: Facebook
O ator e encenador Armando Caldas, nascido em 1935, um dos fundadores do Teatro Moderno de Lisboa, morreu esta quarta-feira na capital, disse à Lusa a Direção da Organização Regional de Lisboa do Partido Comunista Português.

Armando Caldas nasceu em Elvas, em 1935, estreou-se como ator, em 1958, no Teatro Avenida, em Lisboa, na peça "O Mentiroso", de Carlo Goldoni, e fundou, em 1961, com Rogério Paulo, Armando Cortez, Carmen Dolores e Fernando Gusmão, o Teatro Moderno de Lisboa, companhia pioneira do teatro independente em Portugal, que marcou a renovação do teatro no país, a partir do palco do Cinema Império.

Em 1969, Armando Caldas esteve na origem do Primeiro Acto -- Clube de Teatro de Algés e, mais tarde, da companhia o Intervalo, residente no Auditório Lourdes Norberto, em Linda-a-Velha, e onde o ator permaneceu até 2016.

Armando Caldas trabalhou igualmente no Teatro Nacional Popular, entre 1959 e 1960, no Teatro de Sempre, em 1958 e 1959, e no antigo Grupo 4 (na origem do Teatro Aberto), na década de 1970, segundo a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

No seu percurso destacam-se os desempenhos em "O Gebo e a Sombra", de Raul Brandão, "Seis Personagens em Busca de Autor", de Luigi Pirandello, "Doze Homens Fechados"/"Doze Homens em Fúria", de Reginald Rose, que fez para o Teatro Nacional Popular, em 1959, e com que se despediu da companhia O Intervalo, em 2016, segundo a listagem do Centro de Estudos de Teatro.

A estreia de "Render dos Heróis", de José Cardoso Pires, que fechou a atividade do Teatro Moderno de Lisboa, em 1965, "Antígona", de Sófocles, "A Gaivota", de Anton Tchekhov, e "Ratos e Homens", a partir de John Steinbeck, são algumas das peças que interpretou ou encenou numa carreira de quase 60 anos.

No seu percurso destacam-se ainda autores que vão de Shakespeare, Dostoievsky e Nicolai Gogol a Eça de Queirós, Eugène Labiche, Woody Allen ou Luís Francisco Rebello.

Armando Caldas também escreveu para palco, destacando-se a "Biografia Teatralizada de Tchekhov", "Chico Fantocheiro ou a História do Senhor da Barriga Cheia", a versão "Os Três Chapéus Altos", a partir de "Tres sombreros de copa", de Miguel Mihura, e a adaptação livre de "O Inspector Geral", de Gogol.

Estreou-se na televisão em 1961, em "O Ausente", de Artur Ramos, sobre uma peça de Charles Spaak, e regressou ao "pequeno ecrã" um ano depois, para ser Artur em "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas Filho, com o realizador Nuno Fradique e os atores Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho.

Manteve-se nas noites de teatro da RTP durante a década de 1960, com peças como "Nocturno de Chopin", de Oliveira e Costa, sobre Manuel Lereno, e "A Fronteira", sobre um original de Olavo d'Eça Leal.

Em 1989, entrou na série filmada histórica "Pedro, o Cruel", produzida em Espanha.

"Membro do Partido Comunista Português desde 1956", Armando Caldas "defendeu e levou à prática um teatro político e socialmente interventivo", lê-se no comunicado hoje divulgado pelo PCP.

Armando Caldas foi também membro dos órgãos sociais do Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo.

Em 2008, o ator e encenador foi alvo de uma homenagem no Teatro da Trindade, em Lisboa, pelos 50 anos de carreira, que mobilizou atores como Rui Mendes, Fernando Tavares Marques e Carmen Dolores, que consigo fundou o Teatro Moderno de Lisboa, e que na altura destacou "a grande coragem" de Armando Caldas na entrega ao teatro.

Em 2013, a Câmara Municipal de Oeiras homenageou igualmente Armando Caldas, com a edição do livro "Teatro, Como Quem Respira", que retrata a sua carreira.

O corpo de Armando Caldas encontra-se em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos, de onde partirá o funeral, na quinta-feira, às 15:45, para o cemitério de Barcarena, Oeiras, onde será cremado.
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