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Philip Levine (1928-2015)

Morreu o poeta norte-americano que deu voz à classe trabalhadora.
15 de Fevereiro de 2015 às 23:58
Philip Levine
Philip Levine FOTO: Direitos Reservados

O poeta norte-americano Philip Levine, autor premiado cujos poemas se centravam na vida da classe trabalhadora, morreu na sua residência em Fresno, na Califórnia, aos 87 anos, noticiou este domingo o New York Times.

Segundo a sua mulher, Frances Levine, o poeta, com quem era casada há 60 anos, morreu no sábado, depois de lhe ter sido diagnosticado cancro do pâncreas e do fígado há menos de um mês. Levine, cujas distinções incluíam um Pulitzer Prize ("The Simple Truth", 1995) e dois National Book Awards ("Ashes: Poems New and Old", 1980, e "What Work Is", 1991), foi professor na Universidade Estatal da Califórnia, em Fresno, durante mais de três décadas, e ocupou entre outubro de 2011 e maio de 2012 as funções de Poeta Laureado Consultor de Poesia, para as quais foi nomeado pela Biblioteca do Congresso norte-americano, aos 83 anos.

Nascido a 10 de janeiro de 1928 em Detroit, numa família de imigrantes judeus russos, Philip Levine cresceu durante a Grande Depressão e começou a trabalhar em fábricas aos 14 anos. Escrevia poesia nas horas vagas, determinado "a encontrar uma voz para os que não tinham voz", como declarou numa entrevista à Detroit Magazine.

"Apercebi-me de que as pessoas com quem trabalhava não tinham voz, num certo sentido. Em termos da literatura dos Estados Unidos, não estavam a ser ouvidas, ninguém falava para elas, e como qualquer jovem eu fiz este juramento tonto de que falaria por elas e que seria essa a minha vida", relatou.

Ao contrário do poeta da classe trabalhadora Charles Bukowski, a poesia de Levine mostrou-se "menos interessada nos derrotados e explorados e mais interessada em como quem está em baixo chega a cima, como a classe média baixa subiu a pulso para a classe média". A sua poesia é também conhecida pela sua acessibilidade, sendo considerado "uma das mais sonantes vozes de testemunho e convicção sociais, que fala com uma poderosa clareza".

Encorajado pelos professores do ensino secundário, decidiu ir para a universidade e entrou na Wayne State University. "Aí, na universidade, encontrei a poesia moderna. E adorei-a. Adorei-a", disse em entrevista à Paris Review.

Além do Pulitzer e dos dois National Book Awards, recebeu o Prémio de Poesia Ruth Lilly (1987) e o Prémio Wallace Stevens (2013), atribuído pela Academia de Poetas Americanos.

Philip Levine poeta
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