Mais Escola, Melhor Família

Manifesto

Mais escola, melhor família: por uma cultura de paz, contra a violência escolar

O Correio da Manhã é um jornal de causas cuja missão é inspirar, proteger e dar poder às pessoas, sempre ao lado do cidadão. Informar. Investigar. Escrutinar. Criticar ou elogiar os factos que contam e condicionam a vida colectiva é prestar serviço público, mormente no que respeita às mais amplas e profundas dimensões da vida pública nacional.

Os dados do último relatório da UNICEF - An Everyday Lesson #ENDviolence in Schools – Uma Lição Diária #porFIM à violência nas escolas - sugerem-nos um panorama inquietante: “metade dos alunos em todo o mundo com idades entre os 13 e os 15 anos – cerca de 150 milhões de jovens – relatam ter passado por violência entre pares na escola ou nas imediações desta”. Os custos desta violência estão calculados em 7 triliões de dólares. Na última missa de Natal, durante a mensagem “urbi et orbi”, o Papa Francisco rogou por “esperança às crianças e adolescentes que são vítimas do bullying…”.

Em Portugal, de acordo com os dados Health Behaviour in School-aged Children Study – HBSC, 38% dos adolescentes entre os 13 e os 15 anos reportaram ter sofrido bullying na escola nos dois meses anteriores à data em que esta questão lhes foi feita; 31% dos adolescentes entre os 11 e os 15 anos relataram praticar bullying contra pares na escola pelo menos uma vez nos últimos dois meses; e quase metade (46%) dos adolescentes dos 13 aos 15 anos indicaram ter sofrido bullying pelo menos uma vez nos dois últimos meses e/ou terem estado envolvidos em confrontos físicos pelo menos uma vez no último ano.

O último Relatório Anual de Segurança Interna mostra que as ocorrências participadas têm vindo a diminuir, mas 60% têm natureza criminal; as ocorrências de natureza não criminal aumentaram a sua frequência no último ano (em contexto de pandemia) e apenas 10 distritos do litoral manifestam 90% dessas ocorrências.

Há 100 anos, o mundo saía de uma grande guerra para entrar numa terrível pandemia. Hoje, o mundo sai de uma terrível pandemia para entrar numa grande guerra.

As crises civilizacionais repetem-se na história da humanidade, com diferentes ciclicidades, é certo, mas mantendo traços comuns. A violência pós crítica é um desses traços! E é, talvez, o mais evidente!

Em 2017, a propósito do lançamento do seu livro, “A Estranha Ordem das Coisas”, o neurocientista António Damásio afirmou:” se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”. A educação, produto da aventura épica humana, usualmente designada por cultura, pode, e deve, suplantar o herdo biológico do “instinto de sobrevivência”. A esta suplantação chamamos civilidade! E esta civilidade só é possível se a paz e a aceitação do outro fizerem parte da nossa vivência cultural! E é por isto que a Educação deve erradicar a Violência e aclamar a Paz. E é por isto que as “células” educativas – a escola e a família - devem comprometer-se com uma cultura de Paz, contra a Violência!

Cinco eixos prioritários

Para combater este flagelo, recentemente, a UNICEF e os seus parceiros propuseram cinco eixos prioritários, para os quais a iniciativa “mais escola, melhor família” e seus parceiros se pretendem associar:

O CM e a CMTV, na sua missão fundamental de informar e prestar serviço público, mormente no que respeita às mais amplas e profundas dimensões da vida pública nacional, propõem-se desenvolver um plano de ações com o fim de levar à esfera pública mais uma questão fundamental: conhecer a realidade da violência escolar no nosso país, comprometendo a família e a escola com uma cultura de paz, que empodere a cidadania!


CM/CMTV e seus parceiros
Lisboa, 1 de março de 2022