Poesia: Passeio Madrugador
A madrugada de luz ardente que rodeava a casa, um apelo garrido lá fora, uma inquietude dilacerante cá dentro.
Votação fechada. Vê os resultados na fanzine publicada com o Correio da Manhã de dia 25 de junho. Entretanto, recordamos que o concurso é mensal e contamos com os teus trabalhos (vê aqui o
Votação fechada. Vê os resultados na fanzine publicada com o Correio da Manhã de dia 25 de junho. Entretanto, recordamos que o concurso é mensal e contamos com os teus trabalhos (vê aqui o regulamento).----------
A madrugada de luz ardente que rodeava a casa,
Um apelo garrido lá fora,
Uma inquietude dilacerante cá dentro.
De modo que, levando à mão o caderno,
Me levei a ir ver o mar,
E às sombras da aurora a raiar no horizonte.
Purificador tempo de enregelar ossos,
Que já se faz tempo de dar tempo ao tempo.
Cada passo é um caminho inteiro, por entre rios de paz
Em que sou livre, e faço somente o que me apraz.
Sou o deus passeante, que ama tudo quanto existe
A quem tudo constrange e causa rubor.
Sou somente um homem, nada mais que triste
Ridículo poeta em busca de algum fulgor.
A dor percorre comigo as ruas,
É-me exterior, que eu vomito a minha paz de espírito neste papel.
Homens que se afogam no seu próprio pranto
E a cada lágrima, aprontam o coração para novo romance
(Que nunca outrora havia sofrido tanto).
Nada mais me acompanha senão matutinos mariscadores,
Aves que não se acanham nem enrubescem ao me ver passar.
Há a hirteza de tudo quanto me rodeia,
Seres perplexos parados num outro tempo,
Que o não existe, senão no avançar e recair das ondas.
Trabalho enviado pelo participante Diogo Canastreiro, de 17 anos, de Alcochete.
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