Barra Cofina

Correio da Manhã

Mortes Violentas
7

Imagens da cena do crime da Mamarrosa foram apagadas

Homicídio ocorreu durante a visita de Cláudio Rio Mendes à filha, de apenas quatro anos. Sobrinha da namorada da vítima gravou no telemóvel o momento em que o pai da ex-mulher o executou com cinco tiros.
4 de Março de 2011 às 19:06

Tanto o perito como os consultores técnicos, arrolados pela defesa e pela assistente, concordaram que existe um intervalo entre as duas filmagens de telemóvel que estão no processo, que corresponde a dois ficheiros de vídeo que foram apagados.

O consultor técnico concluiu que os ficheiros foram apagados na altura dos acontecimentos. Por outro lado, o técnico indicado pela defesa não excluiu a possibilidade de ter havido posteriormente manipulação especializada do telemóvel, o que exigiria conhecimentos de programação informática.

O tribunal optou por alterar a ordem de audição das testemunhas e ouvir de imediato Eliana Cacilda Carvalho Carlos, que filmou o crime, com o seu telemóvel.

Esta esclareceu que, após a morte do jovem advogado, as imagens foram visionadas no local perante dois agentes da GNR e que o telemóvel foi entregue à Polícia Judiciária (PJ).

Por iniciativa própria, Eliana foi levantar o aparelho à PJ, mas veio a ser informada por um irmão da vítima de que aquela polícia de investigação necessitava novamente do aparelho, acabando por lhe entregar, uma vez que tinha voo marcado de regresso à Suíça.


Eliana disse que não tem ideia se apagou qualquer filmagem e que estava convencida de que filmou em contínuo. Contudo, os peritos contrariaram ao dizer que existem dois ficheiros diferentes de filmagem, entre os quais foram apagados dois ficheiros de filme.

Antes de ouvir Eliana, o tribunal assistiu à projecção e análise das imagens captadas pelo seu telemóvel, quando Cláudio Mendes compareceu no parque da Mamarrosa, a 5 de Fevereiro de 2011, para estar com a filha, conforme o regime de visitas decidido pelo Tribunal de Família.

Exibidas e repetidas em câmara lenta, as imagens mostram que o arguido inicia o movimento para sacar da arma mesmo antes de a vítima ter dado uma bofetada numa sua tia, facto que António Ferreira da Silva havia dito ter provocado a sua reacção.

A projecção do filme em câmara lenta confirma que os disparos se iniciam após Cláudio Mendes fazer um movimento com o braço direito, que o arguido afirma tê-lo convencido de que estava armado e ia disparar, enquanto Eliana assegura que apenas segurava um saco com pão rijo, para a criança dar aos patos.

Um dos aspectos enigmáticos, vincado pelo advogado José Ricardo Gonçalves, é a presença de um homem de elevada estatura, contactado pelo arguido para ir ao local, que se mantém "impávido e sereno", de mãos nos bolsos, ao contrário da esposa do arguido e da juíza, sua filha, que tentam travar Ferreira da Silva, quando este começa a balear Cláudio Mendes.

Ver comentários