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Momentos de tensão marcam sessão do parlamento da Guiné-Bissau

Ânimos de alguns deputados estiveram bastantes exaltados.
Lusa 11 de Junho de 2019 às 18:39
Guiné-Bissau
Bandeira da Guiné-Bissau
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O início da segunda sessão ordinária do parlamento da Guiné-Bissau ficou esta terça-feira marcado por momentos de tensão com os ânimos de alguns deputados bastantes exaltados, mas a maioria acabou por aprovar a ordem do dia.

Depois de a sessão ter sido interrompida por cerca de 45 minutos, os deputados do Partido da Renovação Social (PRS) e do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) voltaram a levantar-se dos lugares e a dirigirem-se para a mesa do parlamento, tendo permanecido no local até o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, ter terminado a sessão.

O deputado do PRS Botche Candé chegou mesmo a virar uma das mesas onde estava sentado o presidente do parlamento e outros membros, tendo mais tarde já no final da sessão sido agarrado por pessoas quando Cipriano Cassamá abandonava a sala.

"São atos muito normais em qualquer parlamento do mundo. Aliás, o parlamento guineense já teve brigas em que os deputados envolveram-se aos socos. Infelizmente ou felizmente neste caso concreto não houve esta situação e que poderia ter, e com justeza, razão de ser", afirmou o líder da bancada parlamentar do PRS, Sola N'Quilin.

Questionado pela Lusa se os deputados guineenses já não deveriam ter outro nível de maturidade política, Sola N'Quilin disse que os deputados têm um bom nível, mas considerou que a situação da democracia no parlamento se está a degradar, "cada vez mais".

Para o vice-presidente da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau, Armando Mango, houve uma tentativa de utilizar a força e outro tipo de subterfúgios para que o parlamento não funcionasse.

"O problema é que quem sabe de antemão que pode vir a perder na votação tentou arranjar um imbróglio para que não se votasse, isso é o propósito, mas infelizmente, apesar de todo aquele barulho acabou por se votar a ordem do dia", disse Armando Mango.

A ordem acabou por ser aprovada por 54 deputados.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado nas legislativas, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o PRS, com 48.

O PRS e o Madem-G15 pretendiam dar continuidade à primeira sessão, mas a comissão permanente acabou por convocar uma segunda sessão onde está incluída a eleição do segundo vice-presidente do parlamento, que ainda não foi eleito devido a uma impasse.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo e apresentou uma providência cautelar para anular a votação, mas que foi recusada pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Por outro lado, o Partido de Renovação Social (PRS) reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da assembleia.

O parlamento volta a reunir-se na quarta-feira.
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