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Falta de dados impede avaliação de três países da CPLP em relatório de sustentabilidade

Timor-Leste, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial foram os países de língua oficial portuguesa que ficaram de parte.
Lusa 12 de Setembro de 2019 às 12:20
CPLP
CPLP FOTO: DR
Timor-Leste, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial foram os países de língua oficial portuguesa que ficaram de parte da lista da Organização das Nações Unidas (ONU) que avalia 162 países em matéria de desenvolvimento sustentável, por falta de dados.

Os três países não foram colocados no primeiro 'ranking' do cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), por falta de 20% dos dados necessários de Timor-Leste, 21% por parte da Guiné-Bissau e 31% dos valores da Guiné Equatorial.

Timor-Leste, sem uma colocação no 'ranking', garantiu o cumprimento de um dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável -- o da produção e consumo sustentáveis -- mas com "grandes desafios" em nove outros ODS.

Timor-Leste está inserido na região da Ásia Oriental e Meridional, que apresenta uma pontuação média de 65,7 em 10 no desenvolvimento sustentável.

Uma situação semelhante encontra-se para Guiné-Bissau, que também conseguiu assegurar a sustentabilidade da produção e do consumo, mas que enfrenta "grandes desafios" em doze categorias.

Guiné-Bissau apresenta dados piores do que o recomendado na pobreza, fome, saúde, educação, igualdade de género, água potável ou saneamento, energias renováveis, indústria, sustentabilidade das cidades, proteção da vida marinha e força das instituições democráticas ou paz.

Sem informações sobre o desempenho em cinco objetivos de desenvolvimento sustentável, a Guiné Equatorial tem "grandes desafios" em oito ODS restantes, pode ver-se no relatório encomendado pelas Nações Unidas a uma equipa de especialistas independentes.

Trata-se de um relatório apresentado na quarta-feira em Nova Iorque, realizado por cientistas independentes para a ONU, que avalia o desempenho de 162 países nos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável assumidos na Agenda 2030.

Angola é o país de língua oficial portuguesa com pior desempenho no desenvolvimento sustentável, salvo os três países que não foram pontuados (Timor-Leste, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial). Portugal assume a 26.ª posição de 162 países, com 76,4 pontos.

Os dez países mais sustentáveis do mundo são membros da União Europeia. O primeiro da lista é a Dinamarca, com 85,2 pontos. Suécia, Finlândia, França e Áustria são os países que se seguem.

O território não-europeu com melhor desenvolvimento sustentável é a Nova Zelândia, na 11.ª posição.

São Tomé e Príncipe, na posição 95 e Cabo Verde, na posição 96, são os países mais sustentáveis da região da África Subsariana.

O relatório apela para o acesso universal a serviços básicos como saúde, higiene, saneamento, educação, habitação e segurança como pré-requisitos para a erradicação da pobreza e avanços no bem-estar humano, com especial atenção às pessoas com deficiências e outros grupos vulneráveis.

De forma geral, o relatório conclui que as mudanças e o desenvolvimento sustentável do mundo são demasiado lentos e não vão garantir o cumprimento dos ODS até 2030.

A ONU considera que os países em desenvolvimento precisam de crescer de forma mais rápida, mas que crescer sem preocupação pelos impactos ambientais ("crescer primeiro e limpar mais tarde"), não é uma opção.

Já os países desenvolvidos necessitam de alterar as dinâmicas de produção e consumo, com limitação de combustíveis fósseis e plástico e com incentivos ao investimento público e privado em iniciativas sustentáveis.
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