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Correio da Manhã

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Diana: a princesa que abriu portas a Angola e pôs o mundo a falar sobre minas

Há 23 anos o mundo despertou para as vítimas de minas antipessoais.
Lusa 25 de Setembro de 2019 às 10:12
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
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Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
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Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Em Janeiro de 1997, Diana de Gales deslocou-se a em Angola em missão pela retirada das minas terrestres nos campos de guerra
Há 23 anos, um hospital na periferia de uma cidade angolana devastada pela guerra despertou o mundo para a das vítimas de minas antipessoais.

A responsável foi uma princesa britânica que escolheu o Huambo para lançar um apelo global contra os engenhos explosivos, comovendo a comunidade internacional com as imagens das crianças amputadas.

Algumas, eram pacientes do antigo centro ortopédico da Bomba Alta, atual centro de reabilitação física Doutor António Agostinho Neto, que Diana de Gales visitou em 1997 e está prestes a mudar de nome novamente para homenagear a princesa que lhe deu projeção mundial.

Na sexta-feira, o hospital recebe um dos seus filhos, o duque de Sussex, príncipe Harry, numa viagem a África que evoca os passos da mãe e que pretende relançar as atenções para o problema.

Três dias antes da visita do aristocrata, ultimam-se os preparativos para que se apresente de cara lavada. Os muros estão pintados de fresco, num rosa alegre, a estrada foi asfaltada e os moradores das redondezas retocam a pintura das suas casas.

Que mais não seja, a visita de Harry "já ajudou a melhorar as acessibilidades", comenta o diretor do centro, Fernando Vicente.

A unidade hospitalar passou por várias fases antes se converter, por força das necessidades, num centro específico de assistência às vítimas do conflito armado.

No centro ortopédico do Huambo continuam a ver-se pessoas mutiladas, mas são cada vez menos os que sofrem acidentes relacionado com a guerra. E o hospital, que data ainda dos tempos coloniais, também mudou.

"Neste momento não só presta assistência às vítimas do conflito armado, mas noutras dimensões da reabilitação", indica o mesmo responsável.

Foi a visita da princesa Diana, em 1997, que fez com que o hospital, apoiado pela Cruz Vermelha, ganhasse dimensão internacional, tornando-se um dos principais centros de produção de próteses em África, comparável à Tanzânia e África do Sul, diz Fernando Vicente.

Para o médico, que trabalhava, na altura, no hospital central do Huambo, que também fez parte do roteiro da princesa, Diana foi determinante "num momento particular da História em que todas as portas se fecharam a Angola em termos de ajuda".

"Foi ela que se pôs a caminho e abriu esta porta a Angola, não só na componente filantrópica", mas também "de mitigar a dor para as pessoas que sofriam", muitas delas vitimas indiretas dos conflitos como mulheres e crianças, enalteceu o médico, recordando que a província do Huambo era uma das que tinha maior percentagem de minas em todo o país.

Desde 2002 que o hospital acompanha, de forma regular, 1.232 pessoas vítimas do conflito armado, um número que tem vindo a diminuir, de ano para ano, enquanto aumentam os registos de acidentes rodoviários, entre outras causas de sinistralidade.

Por dia, chegam ao hospital entre 150 a 200 pacientes "das mais diversas dimensões da reabilitação", incluindo pediátrica. Aqui, encontram serviços de fisioterapia, hidromassagem e atendimento domiciliar e uma capacidade de internamento de 25 pessoas.

Mas neste hospital especial não se tratam apenas doentes.

"Temos uma produção bastante especifica de muletas que se adaptam plenamente ao modo de vida das pessoas desta região", que são essencialmente agricultores e vivem em zonas rurais, adianta Fernando Vicente.

Atualmente são produzidas, em média, 12 próteses por mês, em função da procura, e oito órteses (aparelhos), mas o objetivo é chegar às 40 ou 50 próteses mensais, acrescenta o médico.

Nas oficinas, desenham-se, modelam-se, esculpem-se e fabricam-se as próteses que vão garantir aos amputados mais autonomia. São feitas à medida de cada paciente e tendo em conta as suas especificidades profissionais.

Marlene Tavares é uma das artesãs.

Cada peça demora "quatro ou cinco dias para sair bem feita", explica a técnica de órteses e próteses, de roda do que virá a ser um futuro substituto de uma perna, maioritariamente criado a partir de polipropileno.

São mais procurados os membros inferiores, mas nestas oficinas fazem-se dos dois tipos e sempre à medida, conta a especialista que se dedica à profissão há oito anos.

"Começa-se por uma avaliação do paciente onde se determina qual o tipo de aparelho que vai usar", descreve.

Tomam-se medidas, fazem-se moldes positivos e negativos e inicia-se depois um processo de laminação. É então que o paciente regressa para fazer a primeira experiência. Se houver lugar a reajuste, marca-se nova data. Antes de poder levantar a prótese, o paciente "tem ainda de treinar, pelo menos uma ou duas semanas, até se adaptar ao membro substituto".

As próteses são cedidas de forma gratuita e periodicamente reparadas ou substituídas para que as vítimas da guerra "cega" das minas possam continuar a fazer uma vida normal.
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