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Alunos do Porto desenvolvem solução para combater má nutrição na África subsariana

Iniciativa tem como objetivo desenvolver soluções inovadoras.
Lusa 23 de Abril de 2021 às 13:13
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Uma equipa de alunos da Porto Business School desenvolveu uma solução de aquacultura para peixes alimentados com insetos que visa combater a má nutrição na África subsariana e que será apresentada na Food Systems Summit das Nações Unidas.

Depois de vencer a Global Case Competition, uma iniciativa promovida pela BI Norwegian Business School, EAT e Kearney para desenvolver soluções inovadoras, os alunos da Escola de Negócios da Universidade do Porto vão apresentar a sua ideia na Food Systems Summit das Nações Unidas, que decorre em julho.

Em declarações à agência Lusa, Frederico Antas, um dos membros da equipa, explicou hoje que a solução desenvolvida visa "resolver um dos problemas associados aos sistemas de produção", que vão desde a produção, distribuição, consumo e desperdício.

"Havia uma panóplia de potenciais desafios nos quais nos podíamos concentrar, mas focamo-nos apenas num problema e desenvolvemos uma solução exequível e escalável", referiu.

Ao olharem para o mapa de distribuição de alimentos, os alunos da Porto Business School centraram-se na África subsariana, onde existem "problemas sérios ao nível do acesso à comida, mas também de má nutrição e mesmo fome".

"Tendo em conta que, do ponto de vista da produção, o peixe é ecologicamente mais sustentável, mas também mais vantajoso do ponto de vista nutricional, centramos a nossa atenção nesse alimento", esclareceu Frederico Antas, acrescentando que a solução assenta na produção de aquacultura.

Para que os peixes de aquacultura "sejam mais nutritivos", a solução desenvolvida pelos estudantes pressupõe que os mesmos sejam alimentados "com insetos" ao invés de rações.

"Já há alguns insetos que são usados, depois de processados e numa espécie de farinha, para a alimentação dos peixes. Através deste método não há muito desperdício, sendo que é relativamente barato produzir e mais nutritivo do que as farinhas que, regra geral, são usadas na aquacultura", afirmou, acrescentando que os insetos seriam alimentados com lixo orgânico.

Segundo Frederico Antas, uma das preocupações da equipa foi "casar" a solução de forma mais local e abrangente a toda a população da região.

"A nossa ideia é ter aquacultura de rio e de mar, numa dupla perspetiva, em que as populações do interior teriam acesso a peixe na mesma", disse.

Para a aquacultura fluvial, a equipa optou por escolher a tilápia-do-nilo, espécie "que pode ser facilmente produzida", e para a aquacultura de mar, a dourada, por tratar-se de uma espécie "muito resistente a diferentes condições climatéricas e que se poderia facilmente adaptar a qualquer parte da África subsariana".

"A ideia é viável, mas gostaríamos de começar com um projeto-piloto", afirmou, indicando Moçambique como o local ideal para a prova de conceito dadas as suas condições, nomeadamente em termos de "lagos de água doce, costa marítima e legislação de aquacultura".

Ainda que sem qualquer ligação à área, Frederico Antas acrescentou que a equipa do The International MBA da Porto Business School não descarta o projeto, nem a solução desenvolvida.

"Temos noção que não é uma solução barata, mas as alternativas são mais caras do ponto de vista ambiental e da saúde. O nosso interesse é tentar explicar a solução, sendo que o projeto, pela sua génese, depende de uma grande interação entre Governos, universidades e parceiros que já trabalham nesta área", acrescentou.

No âmbito da Global Case Competition, a equipa portuguesa 'Inbbictus', composta por Frederico Antas, Ana Patrícia, André Lhamas e Tobias Azevedo ganhou um prémio de 10.000 dólares com a sua ideia 'De-bugging Food Systems'.

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