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Angola apreende produtos farmacêuticos que seriam reexportados para a China

Em causa estão máscaras, toucas e luvas.
Lusa 14 de Fevereiro de 2020 às 16:17
Máscaras de prevenção do Covid-19
Máscaras de prevenção do Covid-19 FOTO: Getty Images
As autoridades angolanas apreenderam material farmacêutico, nomeadamente máscaras, toucas e luvas que cidadãos chineses em Angola pretendiam reexportar para a China, afetada pelo Covid-19, disse esta sexta-feira fonte oficial.

Sem especificar as quantidades, o inspetor geral da Saúde angolano, Miguel de Oliveira, deu conta que o material apreendido reverte a favor do Estado angolano, argumentando que apenas pessoas ou entidades autorizadas devem importar ou exportar produtos.

"Há cidadãos chineses que pretendem reexportar para a China máscaras, toucas e luvas e, como manda a legislação, essa mercadoria foi apreendida e ela reverte a favor do Estado", disse hoje o responsável, em conferência de imprensa, em Luanda.

Segundo Miguel de Oliveira, as autoridades angolanas interagem "diariamente" com a embaixada chinesa em Angola para explicar os pressupostos legais do país sobre reexportação de material à luz do regulamento de atividade farmacêutica.

Para importar ou exportar algum produto de saúde, de acordo com o regulamento, explicou, "é necessário que a empresa ou o indivíduo estejam devidamente habilitados para o efeito, tenha a devida autorização dos órgãos competentes".

De acordo com a mesma fonte, pelo menos 114 cidadãos, nomeadamente 42 angolanos, 70 chineses, um brasileiro e um marfinense, provenientes da China, estão em quarentena em dois centros de Luanda para controlo médico sobre possível contaminação pelo Covid-19.

A epidemia provocada pelo coronavírus (Covid-19) detetado em Wuhan, causou já 1.380 mortos, tendo a China reportado hoje 121 mortes, nas últimas 24 horas.

Segundo a Comissão Nacional de Saúde, o número de infetados cresceu 5.090, para 63.581.

O balanço é superior ao da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que entre 2002 e 2003 causou a morte a 774 pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na China, mas a taxa de mortalidade permanece inferior.

Uma comissão interministerial angolana está a implementar o plano de contingência que prevê quatro fases, nomeadamente a pré-epidémica, epidémica, intraepidémica e a pós-epidémica, "com as medidas devidamente reescalonadas".

O Inspetor-geral da Saúde angolano adiantou também que entre as medidas em curso, foi intensificado o controlo da mercadoria, sobretudo bagagens provenientes ou com destino à China.

As autoridades angolanas querem o "cumprimento rigoroso das normas previstas nos dispositivos internacionais" e desaconselham cidadãos angolanos a viajarem neste período para a China.

Nas últimas 24 horas, Angola rastreou, no aeroporto internacional 4 de Fevereiro, 819 cidadãos nacionais e 630 estrangeiros e segundo o responsável o país "continua sem casos positivos e suspeitos".

Além da China continental, Hong Kong, Japão e as Filipinas reportaram um morto cada um e, embora 30 países tenham diagnosticado casos de pneumonia por Covid-19, a China responde por cerca de 99% dos infetados.

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