Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Ativistas angolanos propõem plano integrado e inclusivo de emprego

Taxa de desemprego em Angola aumentou para 29,0%, no segundo trimestre de 2019.
Lusa 18 de Setembro de 2019 às 17:51
Trabalhadores
Trabalhadores FOTO: Getty Images
Jovens ativistas angolanos propuseram esta quarta-feira um Plano Integrado, Inclusivo e Funcional de Emprego para o país, que contempla "emprego justo, qualificado e remunerador, formação tecnológica sólida, estágios profissionais" e a obrigatoriedade da reforma aos 40 anos de serviço.

"Inicialmente é preciso termos em conta que em Angola se reforma pouco e por isso é que os jovens estão desempregados, ou seja, há muitos velhos ou mais velhos na função pública ou privada com 40 a 45 anos de serviço e que deveriam ir para reforma de forma a priorizar os jovens", afirmou Geraldo Gabriel Dala, em Luanda.

O ativista angolano falava no balanço da "Marcha Contra o Elevado Índice de Desemprego em Angola", realizada em 24 de agosto em cinco províncias angolanas, com registo de supostas "agressões físicas e tortura" protagonizadas pela polícia em Luanda.

Um Plano Integrado, Inclusivo e Funcional de Emprego foi apresentado esta quarta-feira pelos ativistas, que se "opõem" às medidas constantes do Plano de Ação para Promoção da Empregabilidade (PAPE), aprovado em abril deste ano pelo Presidente angolano, que disponibiliza 21 mil milhões de kuanzas (58,3 milhões de euros, na cotação da altura) para promover o emprego.

"Como é que se vai promover a empregabilidade distribuindo 'kits' conforme o PAPE prevê para pedreiros, ladrilhadores, isto é promover empregabilidade? Sempre com as mesmas políticas?", questionou Geraldo Gabriel Dala, acrescentando: "O manifesto eleitoral do MPLA fala do emprego justo, qualificado e remunerador está lá e não fomos nós que escrevemos esse manifesto".

A terceira "Marcha Contra o Elevado Índice de Desemprego em Angola", que decorreu nas províncias de Luanda, Malange, Bengo, Uíge e Cuanza Norte visou exigir os 500.000 postos de trabalho prometidos, em 22 de julho de 2017, por João Lourenço, atual chefe de Estado angolano em plena campanha eleitoral para as eleições gerais de agosto.

Para Geraldo Gabril Dala, "em momento algum", em 2017, o então candidato e esta quarta-feira Presidente angolano disse na campanha eleitoral que "cada jovem deveria criar a sua própria empresa".

"Acreditamos que não, por isso é que defendemos também a formação tecnológica dos jovens. O PAPE fala em aumentar o número de pavilhões, será que todos os jovens nesse momento terão de ser pedreiros, ladrilhadores e carpinteiros? É esta a política do executivo?", perguntou.

Por seu lado, Marinela Pascoal "Mamba Negra", outra ativista, deu conta que o Plano Integrado, Inclusivo e Funcional de Emprego, elaborado pelos jovens ativistas, traz igualmente uma abordagem sobre estágios aos recém-licenciados ou com formação técnico-profissional por parte de empresas públicas e privadas.

"Entendemos que o Governo deve tomar essa ação, ou seja, todos os recém-licenciados ou com formação técnico-profissional devem passar por um estágio e de certa forma pegar nesses e fazer uma base de dados", afirmou.

Segundo a ativista, a pretensão da distribuição de 'kits' deve ser precedida de um "programa de capacitação" dos respetivos utilizadores: "Pensamos que o Governo pode criar uma base de dados para facilitar essa questão do emprego sobretudo para quem procura o emprego e quem procura os serviços".

A taxa de desemprego em Angola aumentou para 29,0%, no segundo trimestre de 2019, registando mais 0,2% face aos 28,8% verificados no período entre março de 2018 e Fevereiro de 2019, com mais da metade de jovens afetados, segundo dados de setembro do Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)