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Autoridades moçambicanas proíbem consumo de peixe após suspeita de contaminação de rio

Proibição surge na sequência do derramamento de enxofre no rio Mavuzi.
Lusa 14 de Agosto de 2019 às 19:15
Bandeira de Moçambique
Bandeira de Moçambique FOTO: Getty Images
As autoridades moçambicanas da Saúde e Terra e Ambiente, em Chiúta, baniram o consumo de peixe e hortícolas produzidas nas margens do rio Mavuzi, após suspeitas de contaminação do curso de água por enxofre, disseram esta quarta-feira fontes oficiais.

A proibição surge na sequência do derramamento de enxofre no rio Mavuzi, por um camião que teve um acidente no local, provocando a morte massiva de peixes, avistados a flutuar, além de hortícolas a definharem nas margens.

"Ainda não registamos danos humanos ou de gado [que depende da água para consumo]", disse à Lusa Manuel Cebola, secretário permanente distrital de Chiúta, adiantando que uma equipa conjunta está a monitorizar a "evolução da situação desde domingo" junto das comunidades ao longo do rio.

O governante disse que, depois do alerta da contaminação das águas do Mavuzi, foi intensificada uma campanha que proíbe a população de beneficiar dos recursos do rio, incluindo as plantações nas margens.

Um camião que transportava enxofre do porto da Beira, no Oceano Índico, para a República Democrática do Congo (RDCongo), despistou-se e capotou na ponte sobre o rio Mavuzi, derramando grandes quantidades de enxofre no curso de água.

"Hoje foi removida a cabine do camião da água, evitando que mais combustível seja drenado no rio", disse Manuel Cebola, assegurando que os serviços estão "atentos na saúde da população".

Uma fonte médica, deslocada para Chiúta, disse que ainda não há registo de incidentes com humanos, resultante da contaminação da água, mas "há um alerta máximo" para intervir em eventuais ocorrências.

O chefe do Departamento de Gestão Ambiental, na direção provincial de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Hermenigildo Galimoto, disse que foram envidas amostras da água para exames no laboratório de Tete, para aferir os níveis de contaminação com enxofre.

"Os resultados laboratoriais deverão sair na quinta-feira, e novas medidas serão tomadas consoante os resultados", disse à Lusa Hermenigildo Galimoto, reiterando que está em curso um "intenso trabalho", com o envolvimento de lideres comunitários, para a população não recorrer ao rio.

As autoridades receiam o alastramento da contaminação do rio Mazuvi, um afluente do rio Zambeze, que fornece uma espécie rara de peixe, a kapenta, largamente consumida nos países da região austral.
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