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Correio da Manhã

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Bispos angolanos condenam devastação ambiental e florestal que persiste no país

Florestas têm sido afetadas com corte ilegal de árvores para comercialização de madeira.
Lusa 9 de Outubro de 2019 às 17:59
Os bispos católicos angolanos condenaram esta quarta-feira a "devastação ambiental e florestal" que persiste no país, principalmente com o corte ilegal de árvores para comercialização de madeira, apelando a uma adequação da "eficiência económica à proteção ambiental".

"Oferece-nos a oportunidade de voltar nesta assembleia a uma questão, já por nós abordada noutras circunstâncias, a do desmatamento provocado, sobretudo, com o corte ilegal de árvores para comercialização de madeira, parecia que se tinha estancado e posto um travão nesta situação", afirmou o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Filomeno Vieira Dias.

O arcebispo católico lamentou que "infelizmente" persiste a desmatação de florestas nas províncias do Moxico, no Cuando-Cubango, em Cabinda, no Uíje e no Bengo, de modo acentuado, e menos acentuado no Huambo e no Bié.

"Observamos a continuidade de práticas de devastação ambiental e florestais destruidoras da biodiversidade, dos ecossistemas e provocadoras do empobrecimento das populações", disse na abertura da segunda Assembleia Plenária ordinária dos bispos da CEAST.

Os bispos angolanos fizeram, na ocasião, um apelo "veemente" no sentido de adequar a "eficiência económica à proteção ambiental e à justiça social".

"A questão da desmatação desenfreada tem consequências sociais elevadas que nem sempre temos presente", alertaram.

Filomeno Vieira Dias, também arcebispo de Luanda, assinalou na sua intervenção a relevância da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazónica, que decorre desde segunda-feira, no Vaticano, sob presidência do papa Francisco.

O Sínodo da Amazónia, observou, é um alerta para todo o mundo e grande atualidade para a África e para Angola, pois, referiu, o tema do ambiente e da ecologia "é um tema central e está em todas as agendas políticas, económicas e sociais dos nossos dias".

"O ambiente é o homem, dele depende o futuro do homem sobre a terra, por isso temos elevadas responsabilidades nesse domínio, poluir o ambiente é poluir a vida e comprometer o futuro da humanidade", afirmou.

O ambiente e a ecologia, à luz da carta apostólica "Laudato Si", do papa Francisco, o relatório das Comissões Episcopais, o Inquérito sobre a Igreja em Angola e a Proteção de Menores são alguns dos temas em discussão no encontro, que decorre até 14 de outubro na província angolana da Lunda Sul.
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