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Chuvas fortes em Maputo mostram o "dilema de todos os anos" para quem vive na periferia

Falta de um sistema de saneamento é um problema já conhecido para quem vive em Maputo.
Lusa 10 de Janeiro de 2020 às 16:33
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
Chuvas fortes em Maputo mostram o 'dilema de todos os anos' para quem vive na periferia
A chuva que se abateu sobre Maputo na madrugada de esta sexta-feira denunciou o "velho problema" do saneamento público na capital moçambicana, com os bairros alagados e casas submersas, principalmente na periferia.

"A água da chuva que estava no meu portão chegava até aos joelhos, então desisti de ir ao trabalho, voltei e fui dormir", conta à Lusa Etro José, motorista de transporte semicoletivo, residente no bairro Mavalane, na periferia de Maputo.

A chuva começou a cair por volta das 04h00 (menos duas em Lisboa) e abrandou por volta 09h00, tempo suficiente para alagar vários bairros, dificultando a circulação, principalmente na periferia.

As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia estimavam 50 milímetros em 24 horas, mas, até as 08h00h da manhã, o registo era de 70 milímetros, segundo dados oficiais.

Num quadro de risco para a saúde pública, os charcos em quase todas as esquinas do bairro de Mavalane tornaram-se uma atração para as crianças, que, inocentemente, brincavam na água.

É um problema já conhecido para quem vive em Maputo: a falta de um sistema de saneamento.

"Terei de ligar ao meu patrão para pedir desculpas, mas na verdade, ele até já sabe da situação da minha zona. Basta chover, aqui ninguém sai de casa", referiu Etro José, 39 anos.

Etro José não foi o único transportador que não se fez à estrada, vários outros preferiram ficar em casa para evitar danos maiores.

Ao longo das avenidas da Cidade de Maputo, além das águas estagnadas, era visível o número de pessoas à espera nas diferentes paragens por um transporte que nunca mais chegava.

Não muito longe de Mavalane, no vizinho bairro Ferroviário, Americano Massingue tem a casa submersa. Os lençóis, mantas e as roupas pendurados ao muro do seu quintal denunciam o desespero de quem vive com o drama das águas há anos.

"Todos os anos quando chove fica assim, mas esta chuva que caiu a noite foi pesada! Molhou tudo", declarou Americano Massingue, enquanto tenta escoar a água da sala da sua casa com balde.

Embora a chuva tenha abrandado em Maputo, o pesadelo para Americano Massingue, Etro José e outros residentes da periferia ainda não acabou.

"Vai continuar a chover", disse à Lusa Acácio Tembe, porta-voz do Instituto Nacional de Meteorologia, embora considera que serão chuvas em regime moderado.

Na cidade da Matola, nos arredores de Maputo, o impacto das chuvas fez com que o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) reativasse 86 comités de gestão de riscos, além de pelo menos nove abrigos temporários, embora ainda não haja registo de desalojados.

"Temos na Matola alguns impactos, nomeadamente o condicionamento das vias. Algumas estão com água e crateras", disse à Lusa Rocha Nuvunga, delegado do INGC na província de Maputo.

O período chuvoso em curso em Moçambique começa em outubro e termina em abril, tendo já afetado pelo menos 48 mil pessoas em todo o país, principalmente no centro e norte de Moçambique.

No período chuvoso em 2018/2019, no total, 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, que se abateram sobre o centro e o norte do país, respetivamente.

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