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Correio da Manhã

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Conselho Empresarial português nasce no Quénia

Promover contactos entre investidores, empresas e entidades governamentais são alguns dos objetivos do projeto.
Lusa 3 de Julho de 2019 às 10:39
Bandeira do Quénia
Bandeira do Quénia FOTO: Getty Images
Facilitar contactos entre investidores, empresas e entidades governamentais e explorar oportunidades são alguns dos objetivos do recém-criado Conselho Empresarial Português do Quénia, que conta com um envolvimento significativo da comunidade goesa, disse à Lusa um dos membros fundadores.

João Ramos, que integra também a comissão instaladora do futuro European Business Council que vai juntar câmaras de comércio e associações empresariais de 18 países europeus, incluindo Noruega e Suíça, adiantou que o Conselho Empresarial deve chegar ao final do ano com 40 a 50 empresas aderentes.

Para já, conta com empresas portuguesas como a Mota-Engil e Anguloraso (construção e engenharia), a JAP (montagem de camiões), a RVE. Sol (energia solar), UVA (importadores de vinho), Salvador Caetano (veículos), Neuce (tintas) e Páginas Amarelas, bem como empresários goeses ligados aos setores de import/export, tecnologia, segurança e turismo.

"Apercebemo-nos de que havia necessidade de criar uma associação para falarmos a uma só voz", explicou, em declarações à Lusa a partir de Nairobi.

O envolvimento da comunidade goesa ajudou a impulsionar a iniciativa, sobretudo tendo em conta que são escassas as empresas portuguesas com presença no Quénia, bem como o número de cidadãos registados (menos de cem), ao contrário do que acontece com os luso-goeses.

"São cerca de 5.000. É uma comunidade muito forte, muito unida e muito ativa na economia deste país, que mostrou grande vontade de participar" nesta "plataforma de contacto entre empresas, entidades institucionais e governos".

Segundo João Ramos, muito destes empresários não falam português nem conhecem Portugal, mas "viram com bons olhos o envolvimento" no Conselho Empresarial que esperam vir a proporcionar "outros canais de acesso" a interlocutores portugueses.

Embora o Conselho, que foi lançado em Nairobi no dia de Portugal (10 de junho), esteja ainda em fase inicial, tem já definidas algumas prioridades.

"Atualmente, a principal preocupação é acabar com a dupla tributação".

O acordo para eliminar a dupla tributação entre Portugal e o Quénia foi assinado em julho do ano passado, mas ainda "não está ativo", o que penaliza fortemente a competitividade das empresas portuguesas face a outras congéneres internacionais, salientou João Ramos.

Além de contribuir para resolver os problemas dos empresários, o Conselho quer fomentar o acesso às instituições de Portugal e Quénia, para explorar oportunidades de investimento e comércio e promover contactos com outras organizações, através do European Business Council, que está em fase de instalação.

"Se nos focarmos nos países europeus isoladamente as trocas comerciais são muito reduzidas, comparativamente à China ou à Índia, mas como bloco a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Quénia", frisou o mesmo responsável, adiantando que, com esta entidade europeia, que deve estar constituída legalmente no decurso dos próximos três ou quatro meses, os empresário irão contar com "um grupo de 'lobby' mais forte".

João Ramos, que se mudou para o Quénia há três anos depois de a empresa onde trabalhava ter decidido reagir à crise em Moçambique com a abertura de um novo escritório naquele país, fala de "um mercado extremamente atrativo em termos de serviços e facilidade da criação de empresas", também muito favorável às trocas comerciais.

"O Quénia tem o maior porto africano da costa leste", "infraestruturas assinaláveis" e um sistema de Internet "muito desenvolvido", adiantou, descrevendo a "Silicon Savannah" de Nairobi como um polo de inovação tecnológica que concentra inúmeras empresas criativas.

Por outro lado, está assente numa "economia muito diversificada" criando oportunidades nos mais diversos setores para os produtos portugueses e empresas que se queiram internacionalizar.

"É uma boa aposta para empresas que estão em Moçambique", sugeriu, apontando as facilidades de transporte e acesso ao mercado regional da África Oriental, com 200 a 300 milhões de consumidores e que cresce 6% ao ano.
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