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Construção de gasoduto entre Moçambique e África do Sul é improvável

Projeto deverá ser liderado por uma subsidiária da petrolífera nacional chinesa.
Lusa 28 de Julho de 2019 às 09:22
Bandeira Moçambique
Bandeira Moçambique FOTO: Getty Images

A consultora Fitch Solutions considera que a construção de um gasoduto entre o norte de Moçambique e a África do Sul é cada vez mais improvável porque nenhum dos mercados gera procura suficiente para justificar o investimento.

"O gasoduto proposto, que iria desde o norte de Moçambique até à África do Sul, cruzando Moçambique de norte a sul, enfrenta riscos consideráveis já que nem o mercado interno moçambicano nem o mercado sul-africano, de destino, oferecem níveis suficientes de procura para sustentar a viabilidade dos projetos", lê-se na análise da consultora ao setor do gás e petróleo moçambicano.

Na análise relativa às previsões para o último trimestre deste ano, e a que a Lusa teve acesso, os analistas desta consultora detida pelo mesmo grupo que detém também a agência de 'rating' Fitch consideram que o investimento de 6 mil milhões de dólares não é economicamente viável.

"Há vários anos, a SacOil, agora chamada Efora Energy, uma energética sul-africana anunciou uma oferta de 6 mil milhões de dólares para construir o gasoduto de 2.600 quilómetros, com o nome African Renaissance, para levar o gás da Bacia do Rovuma até à província de Gauteng, na África do Sul", lembra a Fitch Solutions, apontando que para além do transporte de gás, o gasoduto permitia também levar o gás até às indústrias baseadas nesta energia".

O projeto deverá ser liderado por uma subsidiária da petrolífera nacional chinesa, a China Nacional Petroleum, que engloba também investidores privados moçambicanos, para além da SacOil, o que confere "dimensão ao projeto dado o poder de financiamento, apetite pelo risco e histórico de investimentos em infraestruturas na África Oriental".

Para a Fitch, "existe um risco significativo de atrasos no projeto devido à falta de investidores nos dois países; um gasoduto de 2.600 quilómetros é oneroso e terá de ter uma considerável capacidade para conseguir potenciar as necessárias economias de escala".

O Governo de Moçambique tem "planos ambiciosos para desenvolver uma economia gasista, incluindo propostas para centrais energéticas e de fertilizantes e metanol", entre outros, mas "a viabilidade económica de vários destes projetos são desfavoráveis, por isso uma indústria baseada no gás terá uma evolução lenta", conclui a fitch Solutions.

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