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Dirigente do MPLA diz que riquezas do país devem ser divididas por todos os angolanos

Luísa Damião comentou as revelações da investigação 'Luanda Leaks' que envolve Isabel dos Santos.
Lusa 23 de Janeiro de 2020 às 16:19
Luísa Damião, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)
Bandeira de Angola
Luísa Damião, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)
Bandeira de Angola
Luísa Damião, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)
Bandeira de Angola
A vice-presidente do MPLA defendeu esta quinta-feira que as riquezas do país devem ser divididas por todos os angolanos, pelo que o partido no poder em Angola se propôs a combater a corrupção.

Luísa Damião comentava as revelações da investigação jornalística conhecida por 'Luanda Leaks' que trouxe a público supostos esquemas financeiros envolvendo a empresária angolana Isabel dos Santos.

A dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) valorizou o papel investigativo dos jornalistas, que possibilitou chegar às revelações.

"Esta é uma prova do papel que os jornalistas têm na sociedade, um papel muito interventivo, e penso que é uma chamada de atenção aos nossos jornalistas angolanos para se pautarem também por um jornalismo investigativo", disse Luísa Damião.

Sobre as revelações do 'Luanda Leaks', a vice-presidente do MPLA disse que "o poder judicial vai agir e está a fazer o seu papel".

Isabel dos Santos, filha do antigo líder do MPLA e ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi constituída arguida por alegada má gestão e desvio de fundos durante a sua passagem pela petrolífera estatal Sonangol, anunciou quarta-feira a Procuradoria-Geral da República angolana.

Segundo Luísa Damião, o MPLA propôs-se combater a corrupção, o nepotismo e a impunidade porque "corrói o tecido económico e social, prejudica a vida de todos os angolanos".

"Temos a obrigação de oferecer às novas gerações um país melhor, todos os males nós devemos combater", afirmou a dirigente do MPLA.

Luísa Damião apelou à sociedade para que se empenhe na campanha de moralização da sociedade, no sentido de combater as más práticas e poder "caminhar para uma nova Angola".

"Uma Angola cada vez mais próspera, mais desenvolvida, mais inclusiva e mais moderna, porque é isso que os angolanos merecem", frisou.

E realçou: "Pensamos que as riquezas que o nosso país tem devem ser divididas por todos os angolanos para melhoramos, de facto, as condições de vida dos angolanos".

Instada a comentar alegadas divergências internas no que se refere ao combate à corrupção, Luísa Damião assegurou que "o partido está cada vez mais unido, mais coeso".

"Estamos a trabalhar no sentido de cumprirmos o programa do nosso partido e os nossos militantes estão dispostos a ajudar e levar avante esta bandeira da corrupção, porque é um programa que todos os militantes do MPLA aprovaram", referiu.

A também deputada do MPLA sublinhou que os militantes do MPLA não são todos corruptos.

"Podem existir alguns, mas o MPLA tem a vantagem de ser o partido que se propôs combater a corrupção (...) porque tem consciência que esse é um mal a combater", salientou.

De acordo com a vice-presidente do MPLA, este programa de combate à corrupção "já vem de há algum tempo", e o que se está a fazer "é só materializar um programa que foi aprovado pelos próprios militantes do MPLA".

"Portanto, não deve existir essa divisão, porque o programa foi aprovado pelos militantes do nosso partido", sustentou Luísa Damião, acrescentando que devem estar "unidos em torno deste programa, porque o MPLA é um partido que tem responsabilidades acrescidas, porque é o partido que governa Angola".

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

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