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EUA não compreendem atrasos na nomeação do novo Governo guineense

Mushingi afirmou que a situação política no país africano se tem vindo a deteriorar desde a realização das legislativas.
15 de Maio de 2019 às 10:32
Tulinabo Mushingi, embaixador americano para a Guiné-Bissau e Senegal
Bandeira da Guiné-Bissau
Guiné
Tulinabo Mushingi, embaixador americano para a Guiné-Bissau e Senegal
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Guiné
Tulinabo Mushingi, embaixador americano para a Guiné-Bissau e Senegal
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Guiné

O embaixador dos Estados Unidos em Bissau lamentou esta terça-feira que a situação política esteja a deteriorar-se na Guiné-Bissau, dois meses após as eleições legislativas, e sem que tenha sido nomeado um novo Governo.

Em conferência de imprensa para fazer um balanço dos contactos que realizou com as autoridades políticas, partidos e cidadãos anónimos guineenses, Tulinabo Mushingi, que tem a residência em Dacar, no Senegal, defendeu que, para o seu Governo, as disputas entre os partidos no parlamento para indicação de membros da direção daquele órgão não podem condicionar a formação do novo executivo.

"Não deve haver qualquer ligação entre processo de atribuição de cargos na mesa da Assembleia Nacional Popular e a nomeação de um primeiro-ministro e formação do seu Governo", notou Mushingi.

Os partidos com assento no novo parlamento guineense não se entendem quanto à fórmula para a indicação de dirigentes da mesa do órgão e o assunto já se encontra na justiça de quem o Presidente do país, José Mário Vaz, disse aguardar um pronunciamento para avançar para a indicação do primeiro-ministro e consequentemente do Governo.

O embaixador dos Estados Unidos de América reforçou que o seu país não pretende apoiar "qualquer partido ou fação" e que apenas estão comprometidos com um apoio imparcial à liderança legítima da Guiné-Bissau.

Tulinabo Mushingi afirmou, contudo, que a situação política no país africano se tem vindo a deteriorar desde a realização das legislativas, a 10 de março.

"Tem sido muito desanimador observar a situação política a deteriorar-se desde então. Dois meses após as eleições ainda não há um novo primeiro-ministro e ainda não há um novo Governo", lamentou o diplomata norte-americano.

Tulinabo Mushingi defendeu que as autoridades norte-americanas e outros países querem ajudar a Guiné-Bissau, mas não se podem envolver com um país que não deseja ou é incapaz de tratar de questões de má governação e instituições frágeis, frisou.

O diplomata destacou aquela que é outra das visões do seu Governo, frisando que os titulares de cargos devem desempenhar as suas funções de acordo com a lei.

"Os líderes devem liderar", referiu Mushingi.

O embaixador norte-americano advertiu ainda que o impasse atual pode fazer aumentar "o crime e a corrupção", dando conta que "os guineenses estão a dizer que há um aumento do tráfico da droga neste momento", embora sem adiantar mais pormenores.

"A situação política e económica parece agora estar perigosamente a sofrer com o aumento de tráfico de drogas e da impunidade, greves e manifestações públicas de frustrações, são os resultados diretos de permitir o florescimento do crime e da corrupção", observou o diplomata norte-americano.

Questionado pela Lusa sobre se tem outros indícios que apontem para o aumento do tráfico de drogas na Guiné-Bissau, Tulinabo Mushingi disse que "há dois meses foram apreendidas cerca de 800 quilogramas de cocaína", mas que ainda não se sabe quem são os responsáveis e nem de onde veio o produto.

O embaixador considerou que os Estados Unidos estão interessados em saber toda a verdade sobre o assunto, mas também têm a consciência de que o processo vai levar o seu tempo, disse, a propósito desta que foi a sua nona visita à Guiné-Bissau desde que foi nomeado embaixador dos Estados Unidos em agosto de 2017.

Os deputados eleitos nas legislativas de 10 de março levaram mais de um mês a tomar posse, em 18 de abril, mas o início da X legislatura demonstrou logo as graves fraturas político-partidárias que existem no país com a eleição para a mesa da Assembleia Nacional Popular.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo.

Por outro lado, o Partido de Renovação Social (PRS) reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da assembleia.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o Partido de Renovação Social, com 48.

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