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Ex-presidente moçambicano condena incêndio no semanário Canal de Moçambique

"Não lutámos pela independência para queimar jornais", afirmou Armando Guebuza, comparando ato a "um regresso" à falta de liberdade vivida no tempo colonial.
Lusa 26 de Agosto de 2020 às 15:33
Armando Guebuza, ex-presidente de Moçambique
Armando Guebuza, ex-presidente de Moçambique FOTO: António Silva/Lusa
O antigo Presidente moçambicano Armando Guebuza qualificou esta quarta-feira como "terrível" o incêndio no semanário Canal de Moçambique, alegadamente devido a fogo posto, comparando o ato a "um regresso" à falta de liberdade que se viveu no tempo colonial.

"A história [do incêndio] do Canal de Moçambique é terrível; não lutámos pela independência para queimar jornais", afirmou Armando Guebuza.

O antigo chefe de Estado pronunciou-se sobre o caso, em resposta a perguntas de participantes na videoconferência "Vida e Obra de Eduardo Mondlane: O Papel dos Jovens na Preservação e Valorização dos Ideais de Eduardo Mondlane".

Enfatizando que "não faz sentido" o ataque a órgãos de comunicação social, o antigo Presidente comparou o incêndio a "um regresso" ao tempo em que o país não era livre.

"Nós defendemos a liberdade. Um ato daqueles é um regresso a um tempo em que não tínhamos liberdade", sublinhou.

Armando Guebuza foi Presidente de Moçambique entre 2005 e 2015, sendo uma figura história da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, pelo qual ocupou vários cargos no Governo.

Eduardo Mondlane foi o primeiro presidente da Frelimo, desde a fundação da organização em 1962, para a luta armada de libertação nacional contra o colonialismo português.

Eduardo Mondlane foi assassinado num atentado à bomba em 1969 num crime atribuído à PIDE.

As instalações onde funcionam o semanário Canal de Moçambique e o jornal 'online' Canal Moz ficaram destruídas no domingo, na sequência de um incêndio que a direção do semanário atribui a fogo posto.

O editor do semanário, André Mulungo, disse na segunda-feira à Lusa que desconhecidos atearam fogo à redação do jornal na noite de domingo.

André Mulungo avançou que foram encontrados bidões no interior da redação, um dos quais ainda com um pouco de combustível.

Os autores do incêndio terão introduzido os bidões de combustível no interior das instalações do jornal, depois de arrombarem a porta frontal da casa, declarou Mulungo.

Várias entidades nacionais e internacionais já condenaram o incêndio à redação do Canal de Moçambique.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, também condenou o acontecimento e exigiu que os autores sejam levados à justiça.

O Canal de Moçambique é um dos principais semanários do país e tem-se destacado por trabalhar em matérias como corrupção e governação.

O jornal já foi várias vezes alvo de processos judiciais por alegada calúnia e o seu diretor executivo, Matias Guente, foi recentemente intimado pela Procuradoria-Geral da República para responder a perguntas sobre textos que o semanário escreveu envolvendo contratos na área de segurança entre o Governo e as multinacionais petrolíferas que operam na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

A polícia moçambicana ainda não se pronunciou sobre o caso.

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