Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Fábrica cabo-verdiana proíbe trabalhadores de usarem barba

Regulamento aplicado pela empresa, exige uma "boa apresentação" e higiene pessoal.
Lusa 25 de Julho de 2019 às 11:45
Bandeira de Cabo Verde
Bandeira de Cabo Verde FOTO: Getty Images
Uma empresa de processamento de pescado da ilha cabo-verdiana de São Vicente passou a proibir os trabalhadores com barba de entrarem nas instalações, medida que está a merecer a contestação dos empregados que ficam à porta.

Em causa está a decisão da administração da Frescomar, instalada em Lazareto, que começou a ser aplicada na segunda-feira e justificada, segundo uma nota da empresa a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso, com a necessidade de "cumprir com os regulamentos nacionais e internacionais" e com "as normas de certificações internacionais".

O regulamento aplicado pela empresa, prossegue o documento, exige na parte da higiene pessoal dos trabalhadores uma "boa apresentação", além de asseio corporal, mãos limpas, unhas curtas, sem adornos como anéis, pulseiras ou brincos. No caso dos manipuladores, têm de estar "barbeados" e com os cabelos protegidos.

Em declarações ao portal online mindelinsite, um dos trabalhadores da Frescomar que tem ficado à porta da empresa e apresentado como porta-voz dos empregados com barba criticou a medida: "Não entendo porque só agora, mais de duas décadas depois de começar a operar, querem que todos os trabalhadores raspem a cara. Considero esta medida absurda. Trabalho no armazém e não vejo onde está a necessidade", disse o trabalhador daquela empresa de processamento de pescado e conservas.

Garantem que a medida está a ser aplicada a todos os trabalhadores da Frescomar, o que não compreendem: "Somos um grupo de jovens com barba aparada e bem cuidada. Por isso, não aceitamos esta imposição", afirmou outro trabalhador.

Outras imagens divulgadas pela comunicação social local nas últimas horas mostram vários trabalhadores à porta da empresa, uma das maiores da região, impedidos de entrar por usarem barba.

Citado na nota da empresa, o adjunto do presidente do conselho de administração, Manuel Monteiro, explicou que o regulamento pretende que os trabalhadores "tomem consciência de que trabalham com produtos alimentícios destinados ao consumo humano".

"Tal obriga a uma aperfeiçoada elaboração dos mesmos, já que a não ser assim a empresa pode ser responsável de causar algum tipo de problemas aos nossos consumidores, pondo em perigo sua saúde e a estabilidade da Frescomar SA - Grupo Ubago", lê-se.

Além disso, refere que o próprio regulamento interno de trabalho da Frescomar, "aprovado pela Direção-Geral do Trabalho", prevê que "é obrigatório estar perfeitamente asseado/a e barbeado".

"Enfim, todos os trabalhadores têm conhecimento desta prática e alguns resistem em cumpri-las", lamenta Manuel Monteiro.
São Vicente Frescomar Manuel Monteiro Mundo BCE acordo Eurogrupo Banco Banco Central Europeu banca
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)