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FMI acusa ex-primeiro ministro de São Tomé de esconder dívidas e despesas

Acusação avança que governo de Patrice Trovoada fez com que o país estivesse atualmente numa situação de endividamento "praticamente descontrolada".
Lusa 30 de Junho de 2019 às 16:53
FMI
FMI FOTO: Reuters
O Fundo Monetário Internacional (FMI) acusou o Governo do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada de ter escondido várias dividas e despesas que deram origem a que São Tomé e Príncipe estivesse atualmente numa situação de endividamento "praticamente descontrolada".

"Quando estivemos cá em abril descobrimos que tinham sido feitas despesas na ordem dos 02% do Produto Interno Bruto (PIB) que não tinham entrado nas contas que nos tinham sido apresentadas anteriormente", disse Xiangming Li, chefe da missão do FMI para São Tomé e Príncipe.

Até ao final do ano passado, o FMI garantia que a situação macroeconómica do país era "boa", mas seis meses depois, considera que a dívida publica está "praticamente descontrolada" e "atingiu um ponto de tal forma grave" que se torna necessário "tomar medidas muito difíceis" para a controlar.

Uma missão conjunta do FMI, Banco Mundial (BM) e Nações Unidas encontra-se no país a avaliar a situação macroeconómica do país e está a manter vários encontros com a classe política, empresarial e da sociedade civil.

Confrontado pelos jornalistas para esclarecer porque razão a situação económico-financeira do país se agravou tanto, a representante do FMI explicou: "Também descobrimos que o tesouro tinha autorizado algumas entidades publicas a contraírem empréstimos junto dos bancos comerciais e esses empréstimos ascendem a 01% do PIB" referiu Xiangming Li.

"Esses 02% correntes das despesas que não estavam contabilizadas e 01% corrente dos empréstimos contraídos pelas entidades publicas nos bancos comerciais significam um aumento de 03% do défice, o que faz com que o país exceda o indicador de referência estabelecido", acrescentou a responsável do FMI.

As entidades antecipam tempos difíceis que os são-tomense terão que enfrentar e pedem "empenho e esforços de todos".

Este final de semana a missão conjunta do FMI, BM e ONU encontrou-se com uma comissão especializada da Assembleia Nacional (parlamento), encarregue dos assuntos económico e financeiro, no qual o presidente do parlamento fez questão de participar.

Em todos esses encontros, a missão tem apresentado "os desafios que se colocam ao país" e como ultrapassá-los.

"O nível de endividamento do país está neste momento a 90%, isso significa que por cada dólar que o país tem, 90 cêntimos são dívidas ", refere o FMI, sublinhando que esse valor "está bastante acima" do indicador de referência estabelecido que pelo FMI, quer pelo BM, de acordo com os padrões internacionais.

A representante da instituição afirmou que nos próximos anos irá trabalhar com as autoridades, no sentido de fazer com que o nível do endividamento desça para baixo do indicador de referência.

O FMI esclarece que caso não seja possível baixar o nível de indicador do endividamento, o país terá de fazer uma reestruturação da dívida antes de poder ter qualquer tipo de programa com a instituição financeira internacional.

A instituição assegura que o valor da divida do arquipélago "é crítico", promete continuar a "trabalhar e apoiar São Tomé e Príncipe", mas é necessário ter um orçamento equilibrado em termos de receitas e despesas.

O representante do Banco Mundial partilha a ideia do FMI e manifesta-se também preocupado com a situação macroeconómica do país.

"Estamos cá juntos, Nações Unidas, FMI e Banco Mundial para partilhar a nossa preocupação com a situação macroeconómica do país e queremos chamar a atenção das autoridades para isso", disse o representante do BM, Oliver J. Lambert.

O BM é o maior parceiro são-tomense no financiamento do setor energético, por isso avança soluções para esta área.

"A nossa ideia é reformar o setor energético, este setor tem muitos problemas, ligados aos preços dos combustíveis na ilha, que não tem nada a ver com a realidade e por outro lado, o funcionamento da produção e distribuição da eletricidade", referiu Oliver J. Lambert.
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