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Frelimo pede voto no mercado da Beira com a paz como trunfo

A 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República.
Lusa 9 de Outubro de 2019 às 09:07
Bandeira de Frelimo, Partido Frente de Libertação de Moçambique
Bandeira de Frelimo, Partido Frente de Libertação de Moçambique FOTO: Getty Images
O mercado do Maquinino é o maior espaço informal de comércio ao ar livre na cidade da Beira, centro de Moçambique, mas também um dos mais degradados da urbe - o local escolhido pelo candidato da Frelimo a governador para firmar promessas.

"Como governador, a primeira coisa que vou fazer é reabilitar os balneários deste mercado", referiu Lourenço Bulha, num contacto com os vendedores, contrariando quem possa pensar que esta é uma obra de importância inferior.

Ou quem possa pensar ser competência do município - um dos raros, no país, geridos por um partido da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Muitas vidas da Beira orbitam em redor do Maquinino, tanto as de quem vende como as quem faz compras diariamente e tem que enfrentar lixo, esgotos e cheiros nauseabundos.

Acompanhado pela mulher, Emília Bulha, o cabeça-de-lista da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder) percorreu o mercado banca por banca a pedir votos para a sua formação política e para o candidato presidencial, Filipe Nyusi.

Além de renovar e limpar o mercado, promete crédito mais fácil para os vendedores.

O candidato da Frelimo segue o guião do líder do partido: promete atrair investimento, público e privado, graças à paz entretanto conquistada com o novo acordo celebrado em agosto com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

O partido no poder têm apontada a paz como uma das mais importantes conquistas do mandato.

"Sem investimentos na província não podemos encontrar emprego para os jovens e sem paz também não podemos ter desenvolvimento", refere Lourenço Bulha.

Pelo meio, o candidato faz promessas dirigidas a públicos específicos - como os professores, para os quais defende melhores transportes, entre outras regalias.

A Frelimo espalhou várias brigadas de campanha pela província de Sofala.

Os militantes da Frelimo organizam-se em brigadas que se avistam ao longe, pelo aglomerado de gente de cor vermelha: camisolas, bandeiras e panfletos entram pelos bairros.

No bairro da Munhava Matope (matope significa lama, nome adequado à zona atravessada por uma concorrida estrada em terra batida), a desordem urbanística salta à vista, a par da falta de saneamento.

"Muitas moradias não possuem casas de banho, nem latrinas, facto que obriga os seus ocupantes a recorrer a vala de drenagem, que divide a zona residencial e a área das gasolineiras", quando a necessidade aperta.

É por isso que a população acolhe com agrado as promessas de requalificação da malha urbana.

Feliciano Rogério ouve e apoia o candidato da Frelimo.

"Confio na Frelimo porque já fez muita coisa. Sou graduado desde 2012 e tenho a certeza que desta vez vou conseguir emprego", afirmou.

A 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República. Esta vai ser a primeira vez que os governadores vão ser eleitos - em vez de nomeados pelo Presidente da República -, velha aspiração da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

A medida faz parte do acordo alcançado entre o chefe de Estado, Filipe Nyusi, e o histórico líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O líder da oposição morreu a 03 de maio de 2018 e estas vão ser as primeiras eleições sem ele.

Dos consensos que estabeleceu com Nyusi, nasceu o acordo de paz assinado entre o presidente moçambicano e o novo líder da Renamo, Ossufo Momade, a 06 de agosto.
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