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Gases emitidos na Guiné-Bissau são todos captados pela floresta do país, diz ministro do Ambiente guineense

Ministro defendeu que a Guiné-Bissau deve apostar fortemente nas energias renováveis.
Lusa 23 de Outubro de 2021 às 09:47
Guié Equatorial
Guié Equatorial FOTO: Getty Images
O ministro do Ambiente guineense, Viriato Cassamá, afirmou este sábado que os gases com efeito de estufa emitidos na Guiné-Bissau são todos captados pelas florestas do país.

"As florestas da Guiné-Bissau são um nítido sumidouro de carbono. Tudo a que a Guiné-Bissau emite é captado pelas nossas florestas. Até podemos vender a nossa capacidade de sumidouro no mercado internacional, mas precisamos de criar infraestruturas", afirmou o ministro, salientando que foram feitos estudos e que se está no bom caminho.

Segundo Viriato Cassamá, uma das apostas do Governo é "preservar a floresta" e "reforçar os sumidouros", defendendo, por isso, a necessidade de fazer trabalho de base.

"O último inventário florestal da Guiné-Bissau foi feito em 1985. Num país que é puramente florestal, é preciso investir no conhecimento e investigação, porque só assim se pode planear e planificar o desenvolvimento do país", afirmou.

Questionado sobre o levantamento da moratória imposta em 2015 ao abate de árvores, decidida recentemente em Conselho de Ministros, o ministro afirmou que os recursos naturais devem ser explorados e utilizados para o desenvolvimento do país, mas de forma sustentável.

"Felizmente, o Governo teve a consciência do papel do ambiente na senda do desenvolvimento sustentável e criou o Ministério do Ambiente. É verdade que o Governo da Guiné-Bissau em 2015 decretou uma moratória, politicamente correta, mas operacionalmente mal concebida. Na altura era diretor geral do Ambiente e tive a minha posição. Não podemos criar uma moratória sem medidas de acompanhamento", disse.

Para o ministro, a moratória deveria ter sido acompanhada de um reforço do sistema de fiscalização e de apoios ao setor dos madeireiros.

"Isso motivou cortes ilegais e a corrupção no setor", disse.

A moratória ao abate de árvores foi levantada, mas o ministro disse que há inovação, nomeadamente a exigência de uma licença ambiental.

"Não vai ser emitida nenhuma licença florestal, sem uma licença ambiental. Quem vai emitir as licenças é o ministro da Agricultura, porque tem de haver responsabilidade política", afirmou.

Viriato Cassamá salientou que a "roda já foi inventada" e que é apenas preciso adaptá-la à Guiné-Bissau, referindo-se ao cumprimento das regras.

"Podemos falar também das pedreiras. Estamos a construir estradas e não há pedras. As pedreiras existem aqui, vamos explorá-las, mas de uma forma sustentável. Há regras", afirmou.

O ministro pediu também aos guineenses para não politizarem tudo, caso contrário, a Guiné-Bissau "não irá desenvolver-se de forma nenhuma".

"Temos de importar tecnologias novas, limpas, para extrair os nossos recursos sem nos prejudicarmos a nós, aos nossos filhos e às gerações vindouras", afirmou.

Sobre a crise energética mundial, o ministro defendeu que a Guiné-Bissau deve apostar fortemente nas energias renováveis.

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