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Governo angolano admite recuar no desconfinamento e adiar reinício das aulas

Angola anunciou este domingo o seu 353.º caso de infeção, tendo registado um rápido aumento do número de infetados nas últimas quatro semanas.
Lusa 5 de Julho de 2020 às 21:39
Sala de aula
Sala de aula FOTO: Getty Images
A ministra da Saúde angolana admitiu hoje que o governo vai tomar mais medidas para conter a propagação de Covid-19 na próxima semana e admitiu suspender o reinício das aulas previsto para 13 de julho.

"Estamos a fazer uma avaliação profunda das medidas atuais e provavelmente podemos ter de tomar outras para controlar esta cadeia de transmissão", afirmou Silvia Lutucuta durante uma conferência de imprensa em Luanda", mostrando-se preocupada com o elevado "incumprimento" dos cidadãos.

Angola anunciou hoje o seu 353.º caso de infeção, tendo registado um rápido aumento do número de infetados nas últimas quatro semanas.

Horários de restaurantes, mas também as práticas de exercício físico ao ar livre poderão ter mais restrições, admitiu, indicando que vão ser tomadas "medidas legais" na próxima semana para demover determinadas práticas, sem especificar quais.

Quanto ao setor da educação que "está a fazer o seu trabalho de casa" pode também vir a recuar no que diz respeito ao reinício das atividades letivas.

"Como dissemos vamos recuar em algumas coisas e provavelmente esta é uma delas", afirmou Silvia Lutucuta, sublinhando que o objetivo é cortar a cadeia de transmissão e continuar a proteger os angolanos.  

As aulas no ensino geral e universitário em Angola foram suspensas em março, antes do Presidente angolano, João Lourenço, declarar estado de emergência, que decorreu entre 27 de março e 25 de maio, tendo-se sucedido a 26 de maio a situação de calamidade pública.

O decreto que determina a calamidade pública prevê o reinício da atividade no ensino superior e no segundo ciclo do ensino secundário a partir de 13 de julho embora "dependente da evolução da situação epidemiológica".

A ministra da Saúde também não excluiu a possibilidade de levantar uma cerca sanitária na província do Cuanza Norte, que é a par de Luanda, o epicentro da epidemia, a única província angolana com casos de covid-19.

Silvia Lutucuta assumiu também que o governo está "preocupado com a alta mortalidade" que se regista no país (19 óbitos), mas garantiu que está reunida "toda a capacidade técnica" e está a ser cumprido "o que está estabelecido nos protocolos internacionais".

Acrescentou, por outro lado, que muitos doentes têm comorbilidades associadas e chegam aos hospitais já com paragens respiratórias, em estado crítico ou até mortos.

Mas "temos doentes críticos que estiveram ventilados e recuperaram", complementou.

Silvia Lutucuta indicou ainda que o governo tem criado boas condições de internamento e que a capacidade não está excedida.

"O hospital de campanha que está na Zona Económica Especial não está cheio, tem capacidade de 500 camas e temos um total de 353 casos", exemplificou, adiantando que existem mais locais de internamento.

A ministra assinalou também que a capacidade de testagem tem aumentado pelo que vai existir "maior rotatividade nas quarentenas institucionais", a que são submetidos os viajantes e casos suspeitos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 530 mil mortos e infetou mais de 11,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Em África, há 11.086 mortos confirmados em mais de 463 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné Equatorial lidera em número de infeções e de mortos (3.071 casos e 51 mortos), seguida da Guiné-Bissau (1.765 casos e 25 mortos), Cabo Verde (1.451 casos e 17 mortos), Moçambique (987 casos e oito mortos), São Tomé e Príncipe (719 casos e 13 mortos) e Angola (353 infetados e 19 mortos).

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