Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Guiné-Bissau vive novo impasse dois meses depois das legislativas

Deputados eleitos nas legislativas de 10 de março levaram mais de um mês a tomar posse.
10 de Maio de 2019 às 09:13
Bandeira da Guiné-Bissau
Guiné
Bandeira da Guiné-Bissau
Guiné
Bandeira da Guiné-Bissau
Guiné
A Guiné-Bissau está a viver um novo impasse político, dois meses depois de realizadas as eleições legislativas de 10 de março, o que tem condicionado a nomeação do futuro primeiro-ministro e a formação de um novo Governo.

Os deputados eleitos nas legislativas de 10 de março levaram mais de um mês a tomar posse, a 18 de abril, mas o início da X legislatura demonstrou logo as fraturas político-partidárias que existem no país com o impasse criado com a eleição para a mesa da Assembleia Nacional Popular.

"O país continua a viver sob o fantasma da briga desnecessária entre partidos políticos", afirmou à Lusa o analista político guineense Rui Jorge Semedo.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo.

Por outro lado, o Partido de Renovação Social (PRS) reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da Assembleia Nacional Popular.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o Partido de Renovação Social, com 48.

"É verdade que o regimento é muito claro e explica perfeitamente como se deve fazer a eleição da mesa. O PAIGC nesse aspeto pecou, sobretudo, no que diz respeito ao cargo de primeiro secretário. Segundo o regimento, o cargo de segundo secretário é que é do PAIGC e não o de primeiro secretário", afirmou Rui Semedo.

Em relação ao cargo do segundo vice-presidente, cabe ao Madem-G15, acrescentou o analista político, mas aquela formação partidária tem de assumir as regras do jogo e indicar outro nome para o cargo, assumiu ainda.

"Quem tem aqui que reclamar é o PRS, cujo lugar de primeiro secretário foi usurpado pelo PAIGC", salientou.

Para o analista, o que "impera é a má-fé e uma estratégia de continuar a bloquear o parlamento".

"É uma luta desnecessária que só poderá eventualmente ser resolvida com eleições presidenciais", afirmou, salientando que o Presidente da República até aqui ainda não mostrou vontade de dialogar.

Rui Jorge Semedo sublinha que o novo impasse traz consequências nefastas para a Guiné-Bissau e demonstra que a estratégia dos líderes políticos continua a ser a de "tentar condicionar o funcionamento das instituições e tirar partido desses condicionalismos sistematicamente criados".

"No plano internacional, o país não tem credibilidade, não só o sistema político, que agora é questionado, mas também a postura, a capacidade dos órgãos soberania e dos líderes políticos guineenses também está a ser posta em causa porque existe uma estratégia muito clara que vai sobretudo no sentido se não for eu, também não vais tu", sublinhou.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)