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Helpo apela a portugueses para continuarem a "alimentar sorrisos" em Moçambique

Campanha convida as pessoas a adquirirem vales que permitem comprar lanches, mochilas e manuais escolares para crianças.
Lusa 28 de Agosto de 2019 às 12:49
Sala de aulas
Sala de aulas FOTO: Sofia Costa 

A associação Helpo lança sábado uma campanha em que convida os portugueses a adquirirem vales de um a cinco euros que permitem comprar lanches, mochilas e manuais escolares para as crianças que apoia em Moçambique.

Na sua terceira edição, a campanha "Vamos alimentar sorrisos" propõe-se aumentar o valor das doações dos anos anteriores, de forma a, além do apoio às comunidades onde habitualmente trabalha (norte de Moçambique), a Helpo poder prolongar a missão de emergência em nutrição maternoinfantil no Dombe (centro), afetada pelo ciclone Idai, até ao final de março de 2020, afirma uma nota desta organização não governamental para o desenvolvimento.

A campanha decorre de 31 de agosto a 10 de setembro nas mais de 420 lojas Pingo Doce que aderiram à iniciativa, sendo os portugueses convidados a adquirir vales, de 1, 3 ou 5 euros, que permitem comprar lanches, mochilas e manuais escolares para as crianças.

A associação sublinha que "um simples lanche, distribuído na escola, pode ser o incentivo necessário para levar uma criança às aulas diariamente" e que é comum, nas zonas onde trabalha, "não existir um único manual escolar, nem sequer para o professor".

Por outro lado, "nestas comunidades, onde muitas crianças têm de fazer vários quilómetros a pé para chegar à escola, uma mochila pode fazer toda a diferença".

Na campanha deste ano, a Helpo quer aumentar o número de voluntários que sensibilizam os clientes para a aquisição dos vales, salientando que foi graças à ajuda de 455 voluntários que foi possível angariar 51.000 euros em 2018, contra os 46.000 euros angariados na primeira edição, em 2016.

Em resposta à crise humanitária gerada pelo ciclone Idai, a Helpo deslocou para Dombe, no centro de Moçambique, três nutricionistas e um elemento de apoio logístico, que realizou rastreios nutricionais a 2.215 crianças até aos cinco anos e a 598 mulheres grávidas e lactantes, seguindo 70 crianças e 22 mulheres grávidas e lactantes nas consultas de nutrição do Centro de Saúde da Missão e 23 crianças internadas com desnutrição aguda grave no Hospital do Dombe.

Distribuiu ainda 194 cestas básicas de alimentos às famílias das crianças com desnutrição e apoiou 2.658 famílias com bens de primeira necessidade em 13 bairros do distrito, afirma.

Adquiriu igualmente um 'kit' de 1.000 euros de medicamentos, 1.000 testes rápidos de malária, dois hemoglobinómetros, 1.000 unidades de teste para os hemoglobinómetros, uma balança, dois estadiómetros e meios de deslocação, como uma embarcação, uma viatura 4x4 para cinco ocupantes e 100 bicicletas para voluntários, agentes de saúde e estudantes.

No âmbito das campanhas realizadas em Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe, a associação angariou, até ao momento, 262.568 euros, para financiar os custos de envio dos contentores, deslocação de recursos humanos e para necessidades logísticas no terreno, afirma a nota.

Por outro lado, recolheu e entregou 257 toneladas de bens alimentares, roupa e produtos de higiene, sendo que 90 destas toneladas foram recolhidas/compradas em Moçambique, contando com o apoio de seguradoras e empresas.

Das 167 toneladas recolhidas em Portugal, 121 foram enviadas em contentores, por via marítima. As restantes, por não corresponderem às necessidades das populações afetadas, foram encaminhadas para a loja social Helpo (4,8 toneladas) e para outras instituições (42 toneladas), acrescenta.

No caso do ciclone Kenneth, ocorrido na zona onde a Helpo trabalha, a missão de emergência criada para resposta à crise humanitária apoia na prevenção da desnutrição e da cólera, através de um projeto cofinanciado pelo Camões I.P. e pela associação Water for all.

No âmbito deste projeto, são realizados rastreios nutricionais a todas as grávidas, lactantes e crianças até aos dois anos, é prestada assistência alimentar e é feito o encaminhamento dos desnutridos, ou em risco de desnutrição, para tratamento.

Por outro lado, é dada formação às comunidades sobre a adoção de comportamentos preventivos acerca da utilização da água e disponibilização de ferramentas que lhes permitam pô-los em prática.

Foram ainda adquiridas, em Moçambique, 31 toneladas de alimentos, que permitiram apoiar 698 famílias em quatro comunidades e um centro de abrigo que acolhia 120 pessoas e foram reconstruídas quatro escolas, três das quais já concluídas, acrescenta.

A Helpo trabalha, desde 2008, na promoção do desenvolvimento através da educação e da nutrição em Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, chegando, atualmente, a cerca de 57.000 crianças.

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