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Imobiliárias alertam para necessidade "brutal" de casas em Angola

Mercado imobiliário está estagnado devido à dificuldade na obtenção de financiamento.
Lusa 28 de Agosto de 2019 às 16:32
Presidente de Angola, João Lourenço
Presidente de Angola, João Lourenço
Presidente de Angola, João Lourenço
Presidente de Angola, João Lourenço
Presidente de Angola, João Lourenço
Presidente de Angola, João Lourenço
A necessidade habitacional em Angola é "brutal", mas o mercado imobiliário está estagnado devido à dificuldade na obtenção de financiamento, alertou o presidente da associação imobiliária angolana, APIMA

"O mercado imobiliário está estagnado, não se produzem praticamente imóveis novos. Temos de acompanhar o crescimento do país (..) Estamos há sete ou oito anos parados e a necessidade habitacional em Angola é brutal", disse Pedro Caldeira em entrevista à agência Lusa, responsabilizando o crédito malparado e a economia "muito dolarizada" pela asfixia do setor.

"Os bancos têm uma carteira de crédito malparado muito grande (...) e as empresas não se conseguem financiar", salientou. Além disso, o crédito à habitação não é uma prática habitual pois os angolanos estão mais habituados a comprar a pronto ou recorrer a empréstimos junto de familiares.

Por isso, a maior parte do crédito concedido era para investimento. Nos últimos anos, a desvalorização acentuada do kwanza agravou os problemas.

"A economia era muito dolarizada e muito do crédito que foi concedido entre 2007 e 2012 era indexado ao dólar. Mas ao retirar liquidez do mercado para combater a especulação da venda da moeda, o governo também retirou liquidez da vida das pessoas, para investir, para viverem. E as empresas começaram a fechar", lamentou o mesmo responsável, sublinhando que "não há economia nem empresários que consigam acompanhar a desvalorização do kwanza".

A APIMA, por exemplo, já teve mais de 100 membros, mas está agora reduzida a cerca de 70.

"As imobiliárias estão a tentar sobreviver, para não morrer. Hoje em dia o arrendamento é quase um preço de migalha", desabafou o empresário.

Com o setor praticamente reduzido ao litoral, Pedro Caldeira diz que o grande desafio do governo é "atrair vida" para o interior de Angola

"No centro de Angola não há quase nada. Luanda é que vale, Benguela é que vale, um bocadinho Lubango e acabou", comentou.

Outro problema "é a incapacidade de o governo dar valor" ao setor.

"O setor imobiliário e transversal à economia, há países onde o imobiliário é o PIB do país, é o que mais atrai investimento, mas se não regularizarmos as questões básicas não vamos atrair ninguém", disse o responsável da APIMA.

Pedro Caldeira pede estímulos para o setor e defende que cabe também aos privados trazer soluções, desde que o Estado crie as condições necessárias, para colmatar as necessidades de habitação, particularmente acentuadas no interior do país.

"A banca deixou de acreditar, mas nós achamos injusto. O setor imobiliário não é só classe alta nem média, os bancos não podem só dizer "não" à partida. E aí pressionamos o governo no sentido de pressionarem os bancos para abrir um bocadinho a carteira", continuou.

Mas admite também que a falta de garantias, um problema associado à regulação e à legalização, não ajuda à boa vontade da banca.

Pedro Caldeira pede também mais formação de quadros para as conservatórias e regulamentação da mediação imobiliária para pôr ordem no setor.

"A atividade mobiliária em Angola também tem essa parte negativa. Nós não temos carteira profissional, muitas empresas não têm alvará", sublinhou, acrescentando estes instrumentos devem ser postos em prática o mais rápido possível para "valorizar a atividade" e "separar o trio do joio".
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