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Correio da Manhã

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Impasse no parlamento da Guiné-Bissau mostra que não há diálogo entre guineenses

Chefe de Estado guineense explicou que sem haver entendimento é "impossível" passar ao próximo passo, a indigitação do futuro primeiro-ministro.
10 de Maio de 2019 às 14:34
Bandeira da Guiné-Bissau
Guiné
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O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, disse esta sexta-feira que o impasse na constituição da Assembleia Nacional Popular do país demonstra que não há diálogo entre os guineenses e que continua a haver ressentimentos.

"Tivemos quatro anos nesta batalha de entendimento entre guineenses, depois das eleições pensamos que finalmente o machado de guerra tinha sido enterrado e, também, que definitivamente tínhamos conseguido colocar o país na estabilidade e na tranquilidade. Ora, foi triste porque logo no primeiro dia assistimos a uma violência verbal. Pensávamos que a violência verbal tinha acabado, mas voltamos a assistir à violência verbal na Guiné-Bissau", afirmou aos jornalistas José Mário Vaz.

O Presidente guineense falava com a imprensa num encontro que promoveu em Bissau para abordar vários assuntos que têm dominado a atualidade política do país, incluindo o impasse para a constituição da mesa da Assembleia Nacional Popular, a indigitação do primeiro-ministro e o polémico caso do arroz doado pela China, que terá sido alegadamente desviado para fins comerciais.

"Isso significa que não há diálogo entre nós. Significa que ainda há ressentimento entre nós, temos ódio, rancor, vingança, retaliação e ninguém tem nada a ganhar com isso, a Guiné perde e sinceramente o povo também perde", lamentou José Mário Vaz.

Para o Presidente, é necessário diálogo e reflexão para que o país estabilize.

"Não me quero imiscuir num assunto da Assembleia Nacional Popular, é um órgão de soberania e depende das leis que o regem, mas quero dizer aos partidos políticos que a política sai de fora para dentro da Assembleia, para se sentarem e discutirem sobre os problemas da terra, porque é no diálogo que encontramos soluções, é com diálogo e compromisso que estabilizamos o nosso país", salientou.

O chefe de Estado guineense explicou também que sem haver entendimento é "impossível" passar ao próximo passo, que é o da indigitação do futuro primeiro-ministro.

"Não temos primeiro-ministro até hoje, porque ainda temos esperança que haja um entendimento entre partidos políticos na constituição da mesa da Assembleia e porque o Governo é da emanação da Assembleia", disse.

José Mário Vaz garantiu também que depois das eleições legislativas não recebeu representantes de partidos políticos com representação parlamentar porque pretende manter distância da atual situação de impasse.

Entidades religiosas, sociedade civil e mulheres facilitadoras estão no terreno, porque são os "únicos isentos e imparciais" e o chefe de Estado disse estar a aguardar os resultados dos encontros que vão ter com os líderes dos partidos políticos e só depois disso vai analisar se vai reunir-se ou não com os líderes partidários.

"Há pessoas que não estão interessadas no diálogo e pensam que se dialogarem se estão a submeter e a perder força. Não. Nenhum diálogo no mundo termina fora da mesa. Todos os conflitos são fechados na mesa, porque é que não fazemos a mesma coisa? É preciso virem pessoas de fora?", questionou o Presidente guineense, salientando que o diálogo é encontrar compromissos para que o país avance.

Os deputados eleitos nas legislativas de 10 de março levaram mais de um mês a tomar posse, a 18 de abril, mas o início da X legislatura demonstrou logo as graves fraturas político-partidárias que existem no país com o impasse criado com a eleição para a mesa da Assembleia Nacional Popular.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo.

Por outro lado, o Partido de Renovação Social (PRS) reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da assembleia.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o Partido de Renovação Social, com 48.
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